Curso de Gerenciamento de Recursos Hídricos realizado pelo SEAPAC reuniu 58 famílias de 15 comunidades, incluindo moradores de territórios quilombolas, e preparou participantes para a próxima etapa do Programa Um Milhão de Cisternas

Curso de Gestão Hídrica em Bom Jesus faz parte do programa Cisternas P1MC. (FOTO: Núcleo de Comunicação SEAPAC)
Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Natal – Rio Grande do Norte
A água como direito, a formação como caminho e a organização comunitária como força para transformar a realidade. Foi com esse espírito que 58 famílias de 15 comunidades rurais de Bom Jesus (RN) participaram, nos dias 15 e 16 de agosto, do Curso de Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH), realizado pelo Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC), na Escola Municipal Alice Garcia Freire. A atividade integra a execução do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) no município e prepara as famílias para uma nova etapa de acesso e manejo da água no Semiárido.
Durante os dois dias de formação, os participantes vivenciaram momentos de diálogo, troca de saberes e aprendizagem sobre a importância da captação e do armazenamento da água da chuva, o cuidado com as cisternas, o tratamento da água para consumo humano e a gestão dos recursos hídricos. A metodologia do GRH parte da compreensão de que a cisterna não é apenas uma estrutura física: é uma tecnologia social que amplia a autonomia das famílias e fortalece a convivência com as características climáticas do Semiárido.

58 famílias de 15 comunidades são beneficiárias do programa de cisternas em Bom Jesus (RN). (FOTO: Núcleo de Comunicação SEAPAC)
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Programa Cisternas é uma política pública criada para ampliar o acesso à água para consumo humano e produção de alimentos por meio de tecnologias sociais simples e de baixo custo. No Semiárido, as cisternas de placas de 16 mil litros são utilizadas principalmente para armazenar água da chuva destinada ao consumo familiar.
A formação realizada em Bom Jesus também representa um momento de valorização das identidades e dos territórios. Entre as 15 comunidades contempladas estão Pavilhão e Grossos, onde, segundo os dados levantados pelo projeto, mais de 70% das famílias beneficiárias são quilombolas. A presença desse público reforça a importância de políticas de acesso à água que considerem as especificidades dos povos e comunidades tradicionais. O próprio Programa Cisternas estabelece prioridade para esses grupos em suas ações.
Crianças também participam da construção do conhecimento
Enquanto mães, pais e responsáveis participavam das atividades de formação, oito crianças tiveram um espaço próprio de aprendizagem por meio da Ciranda de Educação Infantil. A iniciativa possibilitou que elas acompanhassem o processo de forma adequada à sua faixa etária, com brincadeiras, atividades educativas e reflexões sobre a importância da água para a vida.

Ciranda de Educação Infantil é um momento de educação popular sobre a importância da água. (FOTO: Núcleo de Comunicação SEAPAC)
A Ciranda também cumpre um papel importante na participação das famílias. Ao criar um ambiente seguro e educativo para as crianças, a atividade permite que mães, pais e responsáveis tenham maior liberdade para participar das discussões e vivências do GRH. Ao mesmo tempo, reconhece as crianças como sujeitos que também aprendem, participam e constroem conhecimentos sobre o território onde vivem.
Essa dimensão formativa está alinhada à própria metodologia do P1MC. Desde sua origem, a ASA Brasil defende que a construção das cisternas esteja associada à mobilização e à formação das famílias. O objetivo é que as pessoas beneficiadas não sejam apenas receptoras de uma tecnologia, mas se tornem gestoras da própria água, fortalecendo a autonomia e a organização comunitária.
Criado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) no início dos anos 2000, o P1MC nasceu da mobilização da sociedade civil em defesa da convivência com o Semiárido e posteriormente se consolidou como referência para a política pública de acesso à água. A ASA destaca que o programa já mobilizou e capacitou mais de 650 mil famílias, com potencial de armazenamento superior a 10 bilhões de litros de água em todo o Semiárido.

Foram dois dias de educação popular e formativa em Bom Jesus (RN). (FOTO: Núcleo de Comunicação SEAPAC)
Em Bom Jesus, a formação marca também a proximidade de uma nova fase do projeto. A próxima etapa prevê a escavação dos locais onde serão construídas as cisternas, a entrega dos materiais e o início da produção das placas de cimento que serão utilizadas na implementação das tecnologias.
Além das cisternas destinadas às famílias, o município também tem previsão de receber duas cisternas escolares com capacidade de 52 mil litros, ampliando a segurança hídrica dos espaços educacionais e beneficiando toda a comunidade escolar.
A experiência de Bom Jesus evidencia que o acesso à água começa antes da chegada da cisterna. Ele passa pela mobilização, pela formação, pela participação das comunidades e pela construção coletiva de conhecimentos. É nesse percurso que o SEAPAC, em parceria com a ASA Brasil e a ASA Potiguar, contribui para transformar uma tecnologia social em instrumento de autonomia e convivência sustentável com o Semiárido.