Projeto Ecoando Agroecologia reúne técnicos, parceiros institucionais e agentes territoriais em atividades formativas realizadas em Assú e São Miguel

Caio Barbosa | Assessoria de Imprensa – Seapac
Natal | Rio Grande do Norte
A construção da agroecologia no Semiárido passa pela terra, pelas sementes e, sobretudo, pela formação das pessoas que atuam diariamente junto às comunidades rurais. Foi com esse propósito que o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) realizou, nos dias 26 e 28 de maio, duas oficinas técnicas de agroecologia nos municípios de Assú e São Miguel, reunindo profissionais, parceiros institucionais e agentes territoriais em momentos de troca de saberes, aprendizado coletivo e fortalecimento das práticas agroecológicas no Rio Grande do Norte.
Com o tema “Introdução à Agroecologia: princípios e práticas de um sistema agroflorestal”, os encontros aconteceram na Floresta Nacional de Assú e no Centro Pastoral de São Miguel, integrando teoria e prática em uma metodologia construída a partir da educação popular. Durante as oficinas, os participantes puderam aprofundar conhecimentos sobre sistemas agroflorestais, manejo ecológico da produção, recuperação do solo e integração entre espécies vegetais adaptadas ao Semiárido. Além dos momentos formativos em sala, as atividades práticas permitiram que os participantes acompanhassem experiências diretamente no campo, fortalecendo o diálogo entre conhecimento técnico e saber popular.

As oficinas reuniram representantes de organizações parceiras, técnicos que atuam junto à agricultura familiar, agentes de desenvolvimento do Banco do Nordeste e integrantes das redes territoriais acompanhadas pelo projeto Ecoando Agroecologia. Em ambos os encontros, a participação coletiva transformou os espaços em ambientes ricos de construção compartilhada do conhecimento, reafirmando a importância da agroecologia enquanto ferramenta de desenvolvimento sustentável e fortalecimento da convivência com o Semiárido.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), os sistemas agroecológicos têm papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas e na promoção da segurança alimentar, especialmente em regiões vulneráveis à escassez hídrica. No Brasil, a agricultura familiar responde por grande parte da produção de alimentos consumidos pela população, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçando a importância de iniciativas que fortaleçam práticas sustentáveis e ampliem a autonomia produtiva das famílias rurais.

Nesse contexto, o projeto Ecoando Agroecologia se consolida como uma importante ação de fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Norte. Desenvolvido pelo SEAPAC em parceria com o Banco do Nordeste, o projeto atua em nove municípios potiguares, beneficiando 30 famílias agricultoras por meio da integração entre tecnologias sociais, quintais produtivos agroecológicos e acompanhamento técnico continuado. Sistemas de reúso de águas cinza, biodigestores e secadores solares fazem parte das tecnologias implementadas, promovendo melhorias no saneamento rural, segurança alimentar e autonomia energética das comunidades atendidas.
Ao investir também na formação de técnicos e parceiros institucionais, o projeto amplia sua capacidade de impacto nos territórios, fortalecendo redes locais de apoio à agroecologia e consolidando processos permanentes de educação popular. Para o SEAPAC, que há 33 anos atua junto às famílias agricultoras e comunidades tradicionais do Rio Grande do Norte, iniciativas como essas representam mais do que capacitações técnicas: são espaços de construção coletiva de conhecimento, cuidado com o território e fortalecimento de novas possibilidades para a vida no Semiárido.

Entre debates, práticas de campo e trocas de experiências, as oficinas reafirmaram que a agroecologia não se constrói de forma isolada. Ela nasce do encontro entre pessoas, da partilha de saberes e da capacidade coletiva de cultivar alternativas sustentáveis para o presente e para o futuro das comunidades rurais potiguares.