SEAPAC avança na implementação de Sistemas Agroflorestais em 200 unidades familiares no Rio Grande do Norte

Após cadastrar 200 famílias e concluir os diagnósticos das unidades produtivas, projeto Mãos que Produzem, do SEAPAC com apoio do MDA, avança para o desenho dos Sistemas Agroflorestais e fortalece a formação em agroecologia no Semiárido potiguar.

200 famílias produzindo alimentos saudáveis no RN. (FOTO: CAIO BARBOSA-SEAPAC)

Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Natal | Rio Grande do Norte

Da mobilização ao chão da produção, o Mãos que Produzem começa a transformar o planejamento em prática. O projeto do SEAPAC, realizado com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do Programa Da Terra à Mesa, concluiu o cadastramento das 200 famílias participantes e os diagnósticos das respectivas Unidades Familiares Produtivas. Agora, as equipes técnicas estão em campo para construir, junto a cada família, o desenho dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), planejar as áreas produtivas e iniciar a implementação de algumas unidades que servirão também como espaços de aprendizagem e troca de experiências.

A nova etapa representa um passo importante para uma proposta que busca fortalecer a agricultura familiar a partir da agroecologia e da convivência com o Semiárido Potiguar. Ao todo, o projeto acompanha famílias em 15 municípios, distribuídos pelos territórios do Trairi, Seridó, Assú-Mossoró e Alto Oeste, articulando produção de alimentos saudáveis, tecnologias sociais, assistência técnica e construção coletiva do conhecimento. A estratégia está alinhada com as experiências e estudos que apontam os SAFs como alternativa para diversificar a produção, fortalecer a segurança alimentar, gerar renda e promover o uso sustentável da terra no Semiárido.

Antônio Gomides durante o curso para agentes de transição agroecológica. (FOTO: CAIO BARBOSA-SEAPAC)

Conhecimento que nasce do território

Enquanto as equipes avançam no planejamento individual das áreas, o projeto também investe na formação de pessoas capazes de multiplicar os conhecimentos construídos durante essa caminhada. No mês passado, teve início a formação dos 25 Agentes de Transição Agroecológica, em uma atividade de três dias realizada na região de Ipanguaçu, com a participação do educador e agroecologista Antônio Gomides. O processo formativo, baseado na educação popular, aproxima conhecimentos técnicos e saberes construídos pelas próprias comunidades e tem previsão de conclusão no início de setembro.

A formação integra uma metodologia que compreende a agroecologia não apenas como técnica de produção, mas como caminho de transformação dos territórios. Os SAFs possibilitam combinar espécies agrícolas, florestais e outras formas de produção em um mesmo espaço, contribuindo para a conservação do solo e da água, a diversificação produtiva e a recuperação ambiental. No Semiárido, sistemas agroflorestais podem contribuir para a autonomia alimentar das famílias e para a construção de estratégias mais sustentáveis de convivência com as condições climáticas da região.

Integração da agroecologia com assistência técnica na preservação da Caatinga para produção de alimentos. (FOTO: CAIO BARBOSA-SEAPAC)

Com os diagnósticos concluídos, o trabalho agora ganha ainda mais presença no campo. As equipes do SEAPAC percorrem as unidades familiares para definir, junto às agricultoras e aos agricultores, quais arranjos produtivos respondem melhor às características de cada área e às necessidades de cada família. Em setembro, a caminhada seguirá pelos territórios com a realização de intercâmbios, ampliando a troca de experiências entre as famílias e fortalecendo uma rede de aprendizagem construída a partir da realidade de quem vive e produz no Semiárido.

O Mãos que Produzem avança, assim, entre mapas, sementes, saberes e mãos que conhecem a terra. Com apoio do MDA e atuação do SEAPAC, o projeto transforma a assistência técnica em construção coletiva e os quintais em espaços de produção, autonomia e cuidado com a Caatinga. São 200 famílias construindo, em seus próprios territórios, novas possibilidades para produzir alimentos, fortalecer a renda e cultivar um Semiárido mais sustentável.