Com diagnóstico social em andamento, projeto do Seapac e Banco do Nordeste integra tecnologias sociais com agroecologia e fortalece comunidades rurais no Semiárido potiguar.

Equipe do Seapac durante visitas para o diagnostico social do projeto Ecoando Agroecologia. (FOTO: SEAPAC/RN)
Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Pau dos Ferros – Rio Grande do Norte
No Semiárido potiguar, onde a Caatinga molda o ritmo da vida e o saber camponês se reinventa a cada estação, 30 famílias de 22 comunidades rurais começam a escrever uma nova página na convivência com o território. Desde o lançamento em setembro, o Projeto Ecoando Agroecologia, realizado pelo Seapac em parceria com o Banco do Nordeste, avança de forma consistente nos municípios de Pau dos Ferros, Encanto, São Miguel, Venha-Ver, Coronel João Pessoa, São Francisco do Oeste, Ipanguaçu, Açu e Carnaubais — regiões onde a agricultura familiar se apoia na força da tradição e na necessidade diária de inovação.
Após um processo de seleção criterioso, que contemplou comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e famílias agricultoras com trajetórias diversas, o projeto entra agora em sua etapa central. Técnicos do Seapac percorrem os territórios para realizar o diagnóstico social, uma escuta aprofundada que permite compreender a realidade de cada família e orientar os próximos passos do trabalho. Neste projeto, o diagnóstico ganha um reforço estratégico: uma plataforma digital desenvolvida em parceria com a UFERSA e o IFRN – Campus Pau dos Ferros, ferramenta inédita no Seapac e que será decisiva para acompanhar dados, registrar avanços e construir análises consistentes sobre a vida e a produção no campo.
A partir das visitas, começa a tomar forma a implementação das tecnologias sociais que marcarão os dois anos do Ecoando Agroecologia. Sistemas de reúso de águas cinza, biodigestores, secadores solares e quintais agroecológicos serão instalados nas propriedades com o objetivo de ampliar o acesso à água, reduzir desperdícios, diversificar a produção de alimentos e fortalecer a autonomia das famílias. Integradas à agroecologia, essas tecnologias se tornam mais que equipamentos: são ferramentas de resiliência em uma região onde cada decisão produtiva depende da relação profunda com o clima, o solo e o modo de viver no Semiárido.
As tecnologias sociais que serão implementadas representam, para as famílias camponesas, não apenas melhorias técnicas, mas transformações profundas em sua autonomia e segurança de vida. O reúso de águas cinza permite enfrentar a escassez hídrica com criatividade, garantindo irrigação para os quintais mesmo nos períodos mais secos. Os biodigestores convertem resíduos orgânicos em energia limpa e biofertilizante, reduzindo custos e fortalecendo a produção agroecológica. Já os secadores solares ampliam a conservação de frutas, ervas e alimentos tradicionais, abrindo novas possibilidades de renda e agregando valor ao que é produzido no território. Por fim, os quintais agroecológicos integram todas essas práticas, diversificando o cultivo, melhorando a alimentação e fortalecendo o protagonismo das mulheres, que historicamente lideram o manejo desses espaços. Juntas, essas tecnologias se conectam ao modo de vida camponês e fortalecem a convivência sustentável com o Semiárido.
Além das visitas técnicas, o mês de novembro marca outro momento decisivo do projeto. Na comunidade Retiro, em São Miguel, acontecerá o primeiro intercâmbio intermunicipal, reunindo pela primeira vez todas as famílias participantes. O encontro será um espaço de troca de saberes entre agricultores e agricultoras, permitindo que cada um conheça de perto as tecnologias sociais e compreenda como elas podem transformar a rotina produtiva. No Seapac, o intercâmbio é considerado um instrumento pedagógico essencial, pois fortalece vínculos, amplia horizontes e reafirma o protagonismo das famílias no processo de construção do projeto.
Com 32 anos de atuação no Rio Grande do Norte, o Seapac segue reafirmando seu compromisso histórico com a agricultura familiar e com a convivência digna com o Semiárido. A parceria com o Banco do Nordeste tem permitido ampliar o alcance das ações, enquanto entidades como Emater, Emparn, sindicatos da agricultura familiar e associações comunitárias fortalecem a base territorial necessária para que o Ecoando Agroecologia produza resultados concretos. Juntos, esses atores sustentam um trabalho que une tecnologia, tradição e esperança — elementos indispensáveis para que a vida no campo continue ecoando força, autonomia e futuro.