Oficinas agroecológicas impulsionam produção de alimentos no Semiárido potiguar

Projeto Ecoando Agroecologia reúne famílias em Ipanguaçu e São Miguel para fortalecer quintais produtivos e ampliar a produção de alimentos saudáveis no RN.

Caio Barbosa | Assessoria de Imprensa – Seapac
Natal | Rio Grande do Norte

Sob o sol do Semiárido, onde cada planta cultivada representa resistência e esperança, famílias agricultoras do Rio Grande do Norte deram mais um passo importante rumo à produção sustentável de alimentos. Nos dias 15 e 17 de abril de 2026, o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) realizou a primeira etapa das Oficinas de Agroecologia do projeto Ecoando Agroecologia, reunindo agricultores e agricultoras das regiões do Vale do Açu e Alto Oeste potiguar em momentos de formação, prática coletiva e troca de saberes.

As atividades aconteceram na Comunidade Tabuleiro Alto, no município de Ipanguaçu, e na Comunidade Olho d’Água dos Dantas, em São Miguel, reunindo as 30 famílias acompanhadas pelo projeto, além de parceiros institucionais e lideranças locais. Com o tema “Produção de Alimentos em Sistemas Agroflorestais no Semiárido”, as oficinas marcaram o início de um processo formativo voltado à educação popular em agroecologia e à consolidação dos quintais produtivos agroecológicos, que já começam a ganhar forma nas propriedades das famílias beneficiadas.

O momento das oficinas dialoga com uma realidade desafiadora vivida pelas comunidades rurais brasileiras. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda há milhões de famílias no meio rural sem acesso adequado a sistemas de saneamento, situação que impacta diretamente a saúde e a produção agrícola. No Semiárido brasileiro, iniciativas que integram tecnologias sociais voltadas ao saneamento rural e ao uso eficiente da água têm se mostrado fundamentais para garantir segurança alimentar e fortalecer a autonomia das famílias agricultoras.

Durante os encontros, os participantes foram convidados a refletir sobre os princípios da agroecologia e suas diferenças em relação aos modelos convencionais baseados no uso intensivo de insumos químicos e agrotóxicos. Em rodas de conversa e debates coletivos, agricultores e agricultoras compartilharam experiências sobre produção diversificada, preservação ambiental e cuidado com o solo. Em seguida, a teoria ganhou forma prática: os participantes seguiram para o roçado da família anfitriã, onde realizaram atividades de preparo de mudas e manejo da área produtiva, em um verdadeiro mutirão agroecológico que integrou conhecimento técnico e saber popular.

Outro momento marcante das oficinas foi a tradicional troca de sementes e mudas, prática que fortalece a agrobiodiversidade e simboliza a partilha de conhecimentos entre comunidades. Mais do que uma atividade simbólica, esse gesto representa o fortalecimento da autonomia produtiva das famílias, garantindo que variedades adaptadas ao clima do Semiárido continuem sendo cultivadas e preservadas ao longo das gerações.

TECNOLOGIAS SOCIAIS E AGROECOLOGIA

As oficinas acontecem em um momento estratégico do projeto Ecoando Agroecologia, que já avança para a etapa final de implementação das tecnologias sociais. Algumas famílias já iniciam o planejamento e o manejo das áreas destinadas aos quintais produtivos, espaços que serão irrigados por sistemas de reúso de águas cinza e fortalecidos com biofertilizantes produzidos por biodigestores. Esses sistemas fazem parte de um conjunto de soluções sustentáveis que incluem ainda secadores solares, fundamentais para o aproveitamento e conservação da produção agrícola.

Segundo a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), mais de um milhão de tecnologias sociais já foram implementadas em comunidades rurais do Semiárido ao longo das últimas décadas, demonstrando que soluções simples e adaptadas ao território têm impacto direto na melhoria das condições de vida e produção. Nesse contexto, o projeto Ecoando Agroecologia se soma a essa trajetória histórica, contribuindo para ampliar o acesso a tecnologias que promovem saneamento rural, segurança energética e produção de alimentos saudáveis.

Realizado pelo SEAPAC com apoio institucional do Banco do Nordeste, o projeto Ecoando Agroecologia atua em nove municípios do Rio Grande do Norte, beneficiando 30 famílias agricultoras com a integração de tecnologias sociais — como sistemas de reúso de águas cinza, biodigestores e secadores solares — associadas ao acompanhamento técnico em agroecologia. A iniciativa representa uma resposta concreta às demandas por saneamento rural e fortalecimento da segurança alimentar e energética nas comunidades do Semiárido potiguar.

Ao reunir famílias, parceiros institucionais e organizações locais — entre elas representantes do Banco do Nordeste, da Emater, sindicatos rurais e associações comunitárias — as oficinas consolidaram um espaço rico de aprendizado coletivo e construção de novos caminhos. Mais do que ensinar técnicas, esses encontros reafirmam que a agroecologia é construída no cotidiano, na partilha de saberes e no compromisso com o cuidado da terra.

Assim, entre sementes compartilhadas, mudas plantadas e ideias cultivadas em conjunto, o projeto Ecoando Agroecologia segue ecoando esperança nos territórios do Semiárido. Em cada quintal que nasce, cresce também a certeza de que produzir alimentos saudáveis, cuidar do ambiente e fortalecer a vida no campo são passos fundamentais para garantir um futuro mais justo e sustentável para as famílias agricultoras do Rio Grande do Norte.


SOBRE O SEAPAC

O Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) é uma organização da sociedade civil com mais de três décadas de atuação no Rio Grande do Norte, dedicada ao fortalecimento da agricultura familiar e das comunidades tradicionais. Por meio da implementação de tecnologias sociais e da promoção da agroecologia, a instituição contribui para a convivência sustentável com o Semiárido e a melhoria da qualidade de vida no campo.

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