Oficinas realizadas em Carnaubais e São Miguel fortaleceram práticas agroecológicas, produção de defensivos naturais e autonomia das famílias no Semiárido potiguar.

Caio Barbosa | Assessoria de Imprensa – Seapac
Natal | Rio Grande do Norte
No Semiárido potiguar, onde a agricultura familiar resiste e se reinventa diante dos desafios climáticos, a agroecologia segue florescendo como caminho para fortalecer a produção de alimentos saudáveis e ampliar a autonomia das comunidades rurais. Nos dias 19 e 21 de maio, o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) realizou mais uma etapa formativa do projeto Ecoando Agroecologia, promovendo oficinas nas comunidades Santa Luzia, em Carnaubais, e Retiro, em São Miguel (RN). As atividades reuniram famílias agricultoras acompanhadas pelo projeto em espaços de aprendizado coletivo, troca de experiências e fortalecimento dos quintais produtivos agroecológicos.
Com foco no tema “preparo de adubos orgânicos e defensivos naturais”, as oficinas combinaram momentos teóricos e práticas de campo voltadas ao manejo sustentável da produção agrícola. Durante os encontros, agricultores e agricultoras aprenderam técnicas para produção de biofertilizantes, defensivos naturais e compostos orgânicos capazes de fortalecer o solo e reduzir a dependência de insumos químicos. Mais do que ensinar receitas agroecológicas, as atividades estimularam a construção coletiva do conhecimento e reforçaram a importância do cuidado com a terra, com a água e com a saúde das famílias.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar é responsável por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros, desempenhando papel estratégico na segurança alimentar do país. Em regiões semiáridas, práticas agroecológicas associadas ao uso sustentável da água e ao manejo ecológico da produção têm sido fundamentais para ampliar a resiliência das famílias agricultoras diante das mudanças climáticas e da irregularidade das chuvas.
As oficinas fazem parte do processo de consolidação dos quintais produtivos acompanhados pelo projeto Ecoando Agroecologia, que atualmente beneficia 30 famílias agricultoras em nove municípios do Rio Grande do Norte. Além da formação em agroecologia, a iniciativa integra tecnologias sociais como sistemas de reúso de águas cinza, biodigestores e secadores solares, promovendo avanços no saneamento rural, segurança alimentar e autonomia energética das famílias. A proposta une conhecimento técnico e saber popular como estratégia para fortalecer a convivência sustentável com o Semiárido.

Outro momento marcante das atividades foi a troca de experiências entre as famílias participantes, prática tradicional nas ações do SEAPAC e que reforça os princípios da educação popular e da construção coletiva do conhecimento. Entre conversas, práticas de manejo e partilha de sementes e mudas, as oficinas se transformaram em espaços vivos de articulação comunitária, onde agricultores e agricultoras puderam reconhecer desafios comuns e construir soluções de forma conjunta.
Com 33 anos de atuação no Rio Grande do Norte, o SEAPAC segue fortalecendo iniciativas voltadas à agricultura familiar, à agroecologia e à convivência com o Semiárido. Em parceria com o Banco do Nordeste, o projeto Ecoando Agroecologia reafirma o compromisso de promover desenvolvimento sustentável nos territórios rurais, ampliando oportunidades para que as famílias produzam alimentos saudáveis, fortaleçam sua autonomia e construam novas perspectivas de futuro no campo.