SEAPAC conclui projeto no Semiárido potiguar com 100 tecnologias sociais implementadas e 143 famílias beneficiadas

Iniciativa desenvolvida em parceria com a Conferência Episcopal Italiana, desde 2022, fortaleceu a produção agroecológica em quatro municípios do RN, com biodigestores, sistemas de saneamento rural, formação e acompanhamento técnico às famílias agricultoras

O réuso de águas como estratégia para conviver com o Semiárido potiguar. (FOTO: Caio Barbosa | SEAPAC)

Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Natal | Rio Grande do Norte

No Semiárido potiguar, onde cada gota de água, cada fonte de energia e cada alimento produzido fazem diferença na vida das comunidades rurais, a construção de alternativas sustentáveis exige conhecimento, organização e compromisso contínuo. É nesse caminho que o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) chega à etapa final do projeto Integrando Saberes e Práticas de Convivência com o Semiárido, desenvolvido desde 2022 em parceria com a Conferência Episcopal Italiana (CEI). Ao longo de sua execução, a iniciativa beneficiou 143 famílias rurais em quatro municípios do Rio Grande do Norte, com a implementação de 100 tecnologias sociais, formação agroecológica e assessoria técnica voltada ao fortalecimento da agricultura familiar.

As ações foram realizadas em Currais Novos, Lajes Pintadas, Encanto, São Miguel, Cruzeta, Caicó, Assu, Carnaubais e Ipanguaçu abrangendo comunidades dos territórios do Trairi, Seridó, Vale do Açu e Alto Oeste potiguar. Mais do que ampliar a infraestrutura produtiva das propriedades rurais, o projeto buscou integrar tecnologias sociais, conhecimentos agroecológicos e participação comunitária para aumentar a oferta de alimentos saudáveis e fortalecer a capacidade das famílias de conviver com os desafios climáticos do Semiárido.

A parceria com a CEI também expressa a importância da cooperação entre instituições comprometidas com a promoção da dignidade humana e o desenvolvimento das comunidades. A Conferência Episcopal Italiana mantém iniciativas de solidariedade e cooperação voltadas ao desenvolvimento dos povos, apoiando projetos sociais por meio de estruturas específicas de atuação e financiamento. Nesse contexto, a experiência desenvolvida pelo SEAPAC no Rio Grande do Norte aproxima a solidariedade institucional de resultados concretos nos territórios, valorizando o protagonismo das famílias agricultoras. Fonte: Conferência Episcopal Italiana.

Formação e capacitação em agroecologia para integrar saberes e conhecimento popular. (FOTO: Núcleo de Comunicação | SEAPAC)

Tecnologias sociais para fortalecer a produção e a convivência com o Semiárido

Um dos principais resultados do projeto foi a implementação de 100 tecnologias sociais, sendo 70 biodigestores e 30 sistemas de saneamento rural, voltados ao reúso de águas cinzas e totais, conforme as soluções implementadas nas comunidades participantes.

Os biodigestores contribuem para o aproveitamento de resíduos orgânicos e a produção de biogás, que pode ser utilizado como fonte de energia, além da geração de biofertilizante, conforme as condições de funcionamento e manejo do sistema. Já as tecnologias de saneamento e reúso possibilitam o tratamento e o aproveitamento adequado da água, ampliando as possibilidades de uso produtivo desse recurso nas propriedades rurais.

Essas soluções respondem a desafios históricos do Semiárido, onde a disponibilidade de água e energia influencia diretamente a produção de alimentos e as condições de vida das famílias. Experiências apoiadas por instituições públicas brasileiras, como o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), também destacam o potencial das tecnologias de reúso para fortalecer a segurança hídrica, o saneamento rural e a agricultura familiar. Fonte: INSA/MCTI.

Projeto integrou as TS com acompanhamento técnico-pedagógico em agroecologia. (FOTO: Caio Barbosa | SEAPAC)

No projeto, a implementação das tecnologias esteve associada ao acompanhamento técnico-pedagógico em agroecologia, estratégia que busca apoiar as famílias não apenas no acesso às estruturas, mas também no manejo e na integração dessas soluções às atividades produtivas. A proposta reconhece que uma tecnologia alcança seu potencial quando está acompanhada de orientação, conhecimento e condições para sua utilização continuada.

Formação, intercâmbio e construção coletiva do conhecimento

Além dos resultados materiais, o Integrando Saberes e Práticas de Convivência com o Semiárido investiu na formação e na mobilização comunitária. Ao longo da execução, foram realizadas 12 oficinas e quatro intercâmbios, promovendo a troca de experiências, a partilha de conhecimentos e o fortalecimento das práticas agroecológicas entre as famílias participantes.

A metodologia adotada pelo SEAPAC partiu de uma perspectiva participativa, que articula conhecimento técnico e saber popular. Nesse processo, agricultores e agricultoras não são apenas destinatários das ações: são sujeitos fundamentais na construção de soluções adequadas à realidade de suas comunidades.

A assessoria técnica foi organizada a partir de uma abordagem integradora, considerando as diferentes dimensões da vida rural e as relações entre produção, ambiente, recursos naturais e organização comunitária. O acompanhamento buscou contribuir para que as tecnologias sociais fossem incorporadas ao cotidiano das famílias de maneira articulada às práticas agroecológicas.

Biodigestor um TS que gera autonomia na produção do gás de cozinha e ainda o biofertilizante para produção de alimentos. (FOTO: Caio Barbosa | SEAPAC)

Como parte desse trabalho, o projeto também promoveu a sistematização dos conhecimentos em cartilhas sobre os sistemas de saneamento e os biodigestores. Os materiais apresentam informações sobre o funcionamento e a importância dessas tecnologias para a agricultura familiar, contribuindo para a circulação dos conhecimentos construídos e para sua utilização em outros contextos.

A formação, os intercâmbios e os materiais educativos ampliam o alcance da iniciativa para além das estruturas implementadas. Ao valorizar a troca de experiências e a aprendizagem coletiva, o projeto fortalece a autonomia das famílias e a possibilidade de continuidade das práticas nos territórios.

Desenvolvimento sustentável que começa nos territórios

A experiência do Integrando Saberes e Práticas de Convivência com o Semiárido também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) no âmbito da Agenda 2030. Entre os objetivos relacionados à iniciativa estão o ODS 2, voltado à segurança alimentar e à agricultura sustentável; o ODS 6, que trata da água potável e do saneamento; e o ODS 7, dedicado ao acesso à energia limpa e acessível.

As metas globais destacam a importância de ampliar a produção sustentável de alimentos, melhorar a gestão dos recursos hídricos e promover o acesso a fontes de energia confiáveis. São compromissos que encontram expressão em iniciativas locais capazes de combinar tecnologias apropriadas, formação e participação comunitária. Fontes: ONU — ODS 2, ODS 6 e ODS 7.

Agroecologia é a solução para o futuro e por uma convivência com o Semiárido. (FOTO: Núcleo de Comunicação | SEAPAC)

No Rio Grande do Norte, a integração dessas estratégias é especialmente relevante para a agricultura familiar, responsável por parcela importante da produção de alimentos e profundamente ligada à vida econômica, social e cultural dos territórios rurais. Investir em soluções que favoreçam o aproveitamento da água, o acesso à energia e o manejo agroecológico significa ampliar as condições para uma produção mais sustentável e adaptada às características do Semiárido.

Ao chegar à etapa final, o projeto reúne resultados que expressam a importância de articular infraestrutura, formação e acompanhamento técnico em uma mesma estratégia de desenvolvimento. As 100 tecnologias sociais implementadas, as 143 famílias beneficiadas, as oficinas, os intercâmbios e os materiais educativos compõem um legado de conhecimentos e experiências construído em parceria com as comunidades.

Mais do que concluir um ciclo de atividades, o SEAPAC reafirma, com essa experiência, o compromisso de caminhar ao lado das famílias agricultoras, fortalecendo a agroecologia e a convivência com o Semiárido. Porque transformar a realidade não depende de uma única ação, mas da construção contínua de alternativas que façam a água render, a terra produzir e o conhecimento florescer onde a vida resiste e se renova.