Agricultoras e agricultores trocam experiências em intercâmbio sobre Sistemas Agroflorestais no Seridó potiguar

Atividade do projeto Mãos que Produzem reuniu famílias de Cruzeta e Jucurutu, no quintal de Dona Helena e Seu José, em Caicó, para fortalecer a troca de saberes e a construção coletiva dos SAFs.

O projeto “Mãos que produzem” é uma parceria do Seapac com o MDA para construção de 200 sistemas agroflorestais pelo RN. (FOTO: Núcleo de Comunicação | SEAPAC)

Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Caicó | Rio Grande do Norte

No Semiárido potiguar, a construção de um novo jeito de produzir também passa pelo encontro entre pessoas, saberes e territórios. Foi assim que, no dia 9 de setembro, o quintal de Dona Helena e Seu José, na comunidade Batentes, em Caicó (RN), se transformou em espaço de aprendizagem e troca para mais de 20 famílias agricultoras de Cruzeta e Jucurutu. Entre sementes, mudas, tecnologias sociais e muita prosa, o intercâmbio intermunicipal do projeto Mãos que Produzem aproximou experiências e ajudou as famílias a visualizar, na prática, possibilidades para seus próprios Sistemas Agroflorestais (SAFs).

A atividade reuniu agricultoras, agricultores, parceiros e a equipe técnica do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários — SEAPAC em um momento de construção coletiva. No quintal da família anfitriã, os participantes conheceram experiências de produção, observaram tecnologias sociais e participaram diretamente das atividades de planejamento e construção do SAF. A experiência também colocou os agricultores no centro do processo: as famílias puderam preparar a terra, semear mudas e sementes e contribuir com o espaço produtivo de Helena e José.

Famílias de Cruzeta e Jucurutu reunidas no intercâmbio intermunicipal em Caicó/RN – (FOTO: Lindalva Azevedo – SEAPAC)

Mais do que conhecer uma experiência já em andamento, o intercâmbio criou condições para que o conhecimento circulasse entre os territórios. A proposta parte do entendimento de que a transição agroecológica não acontece apenas pela chegada de uma orientação técnica, mas também pela valorização dos conhecimentos construídos pelas próprias famílias agricultoras.

 

Da experiência de uma família para a construção de muitos quintais

A vivência em Batentes integra uma etapa estratégica do Mãos que Produzem. Depois de concluir o cadastramento das 200 famílias participantes e os diagnósticos das respectivas Unidades Familiares Produtivas, o projeto avançou para o planejamento dos SAFs e para a realização de intercâmbios entre os territórios. A metodologia combina assistência técnica, educação popular, tecnologias sociais e troca de conhecimentos para que cada família possa construir uma proposta de sistema produtivo de acordo com sua realidade, seus saberes e as características de sua área.

Realizado pelo SEAPAC com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do Programa Da Terra à Mesa, o projeto tem vigência de dois anos e prevê a implementação de 200 Sistemas Agroflorestais em 15 municípios do Rio Grande do Norte, distribuídos pelos territórios do Trairi, Seridó, Alto Oeste e Açu-Mossoró. A iniciativa tem como objetivo promover a inclusão socioprodutiva de mulheres, jovens e comunidades tradicionais, fortalecendo a agricultura familiar e a produção de alimentos saudáveis no estado. A parceria integra uma estratégia nacional do MDA voltada à formação e estruturação produtiva para a transição agroecológica e a produção de alimentos saudáveis pela agricultura familiar.

Agricultoras e agricultores durante o plantio de mudas e sementes no SAF. (FOTO: Núcleo de Comunicação | SEAPAC)

No Rio Grande do Norte, essa política ganha forma a partir do trabalho desenvolvido nos territórios e do acompanhamento direto às famílias. O Mãos que Produzem articula a implementação dos SAFs com tecnologias sociais, assistência técnica agroecológica e formação de agentes de transição agroecológica, criando uma rede de aprendizagem que se fortalece à medida que as experiências deixam de estar isoladas e passam a ser compartilhadas.

 

Um intercâmbio que continua a semear

A experiência vivida em Batentes não encerra uma etapa, mas abre novos caminhos para a caminhada do projeto. Os próximos intercâmbios intermunicipais já estão previstos para os dias 23 de setembro, em Cruzeta, e 25 de setembro, novamente em Caicó. A intenção é ampliar a circulação de experiências e permitir que mais famílias conheçam, discutam e construam coletivamente alternativas para seus quintais produtivos.

O Seapac reuniu mais de 20 famílias participantes do projeto Mãos que Produzem no intercâmbio intermunicipal no Seridó potiguar. (FOTO: Núcleo de Comunicação | SEAPAC)

Assim, entre uma visita técnica, um croqui, uma semente compartilhada e uma mão que ajuda a preparar a terra, o Mãos que Produzem vai construindo uma rede de conhecimentos no Semiárido Potiguar. Em cada território, os Sistemas Agroflorestais deixam de ser apenas uma proposta desenhada no papel e começam a ganhar forma a partir da realidade de quem vive da agricultura familiar.