Durante o lançamento do documentário “Retratos de Dom Heitor – 100 anos”, instituição distribuiu sementes crioulas como símbolo da trajetória de um dos seus fundadores e do compromisso com as famílias agricultoras

Dom Heitor um dos fundadores do SEAPAC. (FOTO: Núcleo de Comunicação – SEAPAC)
Caio Barbosa – Assessoria de Imprensa | SEAPAC
Natal | Rio Grande do Norte
Há legados que não cabem em fotografias, livros ou documentários. Eles permanecem vivos quando encontram novas mãos dispostas a continuar a caminhada. Foi com esse sentido que o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários (SEAPAC) participou, na última sexta-feira (31), do lançamento do documentário “Retratos de Dom Heitor – 100 anos”, realizado no cinema do Midway Mall, em Natal. Para marcar a ocasião, a instituição transformou sementes crioulas produzidas por famílias agricultoras acompanhadas no Semiárido potiguar em símbolo de memória, gratidão e continuidade.
A homenagem integra as celebrações do centenário de nascimento de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal e um dos fundadores do SEAPAC. Nascido em São José de Mipibu, em 29 de julho de 1926, Dom Heitor completou 100 anos em 29 de julho de 2026. A Arquidiocese de Natal preparou uma programação especial para marcar a data, incluindo a produção do documentário biográfico e do livro “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”.

Coordenação e equipe do Seapac no lançamento do documentário “Retratos de Dom Heitor – 100 anos”. (FOTO: Núcleo de Comunicação – SEAPAC)
A relação entre Dom Heitor e o SEAPAC remonta às origens da instituição. Em 1993, ainda como bispo de Caicó, ele esteve entre os líderes da Igreja Católica no Rio Grande do Norte que participaram da construção do serviço que viria a se tornar o SEAPAC. Um serviço da igreja que buscou criar alternativas para enfrentar os desafios vivenciados pelas comunidades do Semiárido.
Uma homenagem que nasce da terra
Para o SEAPAC, estar presente na celebração do centenário significou também olhar para a história a partir daqueles que dão sentido à missão institucional: as agricultoras e os agricultores familiares. Por isso, a equipe da instituição preparou uma lembrança especial para o público presente e para representantes do clero católico, entre eles o presidente do SEAPAC, Dom Jaime Vieira Rocha, e o próprio Dom Heitor, presidente de honra da organização.
Na entrada do cinema, cada pessoa recebeu um pequeno conjunto de sementes crioulas, reunindo variedades cultivadas e preservadas por famílias agricultoras acompanhadas pelo SEAPAC em diferentes territórios do Semiárido potiguar. Milho, feijão, fava, gergelim e outras sementes foram reunidas em um gesto que carregava mais do que diversidade agrícola: carregava histórias. As sementes crioulas representam conhecimentos transmitidos entre gerações, autonomia, biodiversidade e resistência. Ao colocá-las nas mãos de quem chegava para celebrar a vida de Dom Heitor, o SEAPAC estabeleceu uma ponte entre a memória do passado e a construção do futuro.

Diácono Francisco Teixeira, coordenador estadual do Seapac em fala de homenagem ao centenário. (FOTO: Núcleo de Comunicação – SEAPAC)
Antes do início da sessão, quando as luzes ainda permaneciam acesas, o coordenador estadual do SEAPAC, Diácono Francisco Teixeira, realizou um momento solene e leu uma mensagem em nome da equipe da instituição. O convite era simples e, ao mesmo tempo, carregado de significado: plantar as sementes recebidas em seu lugar favorito, como forma de homenagear Dom Heitor e manter vivo um legado construído junto às famílias agricultoras do Rio Grande do Norte.
“O legado de Dom Heitor continua vivo no SEAPAC: fé que une, esperança que transforma e serviço aos mais pobres.”
Ao longo de sua trajetória religiosa e pastoral, Dom Heitor ocupou diferentes funções na Igreja Católica. Durante seu episcopado, esteve envolvido em diferentes iniciativas de organização e fortalecimento da Igreja no Rio Grande do Norte. Mas, para o SEAPAC, sua história também está ligada a uma opção concreta: aproximar a ação da Igreja das necessidades das populações que enfrentavam as dificuldades do Semiárido e contribuir para a construção de alternativas capazes de fortalecer a vida no campo.

Seapac presenteia o público com sementes crioulas do campesinato potiguar. (FOTO: Núcleo de Comunicação – SEAPAC)
Foi nesse contexto que nasceu o SEAPAC, em 13 de abril de 1993, como um serviço da Igreja Católica no Rio Grande do Norte voltado à promoção da justiça social e à melhoria da qualidade de vida das comunidades vulneráveis, especialmente agricultoras e agricultores familiares.
Mais de três décadas depois, aquela inspiração permanece presente na atuação da instituição. O SEAPAC já implementou mais de 21 mil tecnologias sociais, alcançou os 167 municípios do Rio Grande do Norte e construiu uma trajetória marcada pelo fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia, da organização comunitária e da convivência com o Semiárido.

Sessão de lançamento do documentário no cinema do Midway Mall em Natal (RN). (FOTO: Núcleo de Comunicação – SEAPAC)
O lema escolhido pela instituição para a homenagem sintetiza esse encontro entre memória e compromisso. A história é lembrada não para permanecer no passado, mas para inspirar novos caminhos.
A vida de Dom Heitor, celebrada em seu centenário, permanece como parte da história do SEAPAC e da Igreja no Rio Grande do Norte. E, nas mãos de cada pessoa que recebeu uma semente naquela noite, segue também um convite: plantar, cuidar e fazer florescer aquilo que foi construído por tantas mãos ao longo do tempo.
