SEAPAC inicia projeto Mãos que Produzem para fortalecer a agricultura familiar no Rio Grande do Norte

Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), iniciativa vai beneficiar 200 famílias com Sistemas Agroflorestais (SAFs) e tecnologias sociais no Semiárido Potiguar

Caio Barbosa | Assessoria de Imprensa – Seapac
Natal | Rio Grande do Norte

Com a força de quem conhece o chão que pisa e a história que constrói, o SEAPAC deu início, ao longo do mês de março, ao projeto Mãos que Produzem, uma ação realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do Programa Da Terra à Mesa. A iniciativa chega ao Semiárido Potiguar como um novo passo na promoção da agroecologia, da inclusão socioprodutiva e da convivência sustentável com a Caatinga.

Para marcar o início das atividades, a equipe técnica do SEAPAC colocou a caravana na estrada e percorreu quatro territórios do estado, realizando encontros de lançamento nos municípios de Lajes Pintadas, Caicó, São Miguel e Assú. Mais do que eventos institucionais, os encontros foram espaços de escuta, partilha e construção coletiva com agricultoras e agricultores familiares, parceiros e organizações sociais.

Na sequência, o projeto avançou para as reuniões territoriais e o processo de cadastramento das famílias participantes. Ao todo, foram realizadas 15 reuniões em 15 municípios, abrangendo as regiões do Trairi, Seridó, Assú-Mossoró e Alto Oeste Potiguar, mobilizando mais de 350 pessoas. Esse momento foi fundamental para apresentar os objetivos, a metodologia e os caminhos de implementação do projeto, além de iniciar a identificação das famílias beneficiárias.

Agroecologia como caminho para produzir, preservar e conviver
O Mãos que Produzem aposta na implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em quintais produtivos como estratégia para fortalecer a agricultura familiar no Semiárido. A proposta alia a produção de alimentos saudáveis à conservação ambiental, promovendo o uso sustentável da terra e a recuperação de áreas degradadas.

No Rio Grande do Norte, onde grande parte da agricultura familiar está inserida em áreas de clima semiárido, iniciativas como os SAFs têm se consolidado como alternativas eficazes de produção resiliente. Dados de instituições de pesquisa e extensão rural indicam que práticas agroecológicas contribuem diretamente para a segurança alimentar, a diversificação da produção e a geração de renda, especialmente em contextos de escassez hídrica.

O projeto também inova ao integrar tecnologias de reuso de águas cinzas aos sistemas produtivos, ampliando o aproveitamento dos recursos hídricos e fortalecendo a autonomia das famílias. Ao todo, serão fomentadas 200 áreas de SAFs, beneficiando diretamente agricultoras e agricultores em diferentes territórios do estado.

Outro eixo estruturante é o processo formativo baseado na educação popular. As famílias participantes vivenciam uma metodologia que articula saberes tradicionais e assistência técnica em agroecologia. Como parte dessa estratégia, serão formados 25 agentes de transição agroecológica, pessoas das próprias comunidades preparadas para multiplicar conhecimentos e fortalecer a organização local.

As próximas etapas do projeto incluem visitas às famílias pré-selecionadas e a finalização do cadastramento das unidades produtivas. Durante esse processo, a equipe técnica realiza o mapeamento das áreas, identificando as melhores condições para a implementação dos sistemas agroflorestais.

Construído em rede, o Mãos que Produzem conta com o apoio de prefeituras municipais, da EMPARN, da EMATER-RN, além de associações comunitárias e sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Uma articulação que reforça o compromisso coletivo com o fortalecimento da agricultura familiar e a construção de um Semiárido mais justo, produtivo e sustentável.

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