Projeto Ecoando Agroecologia avança na implementação de tecnologias sociais e beneficia 30 famílias em nove municípios do RN.

Tecnologias sociais integradas a casa das famílias. (FOTO: Caio Barbosa/SEAPAC.RN)
Caio Barbosa | Assessoria de Imprensa – Seapac
Pau dos Ferros | Rio Grande do Norte
No Semiárido potiguar, onde a irregularidade das chuvas e os longos períodos de estiagem historicamente desafiam a produção agrícola, novas estratégias vêm transformando a relação das famílias com o território. Com base na agroecologia e no uso de tecnologias sociais adaptadas à realidade local, agricultores e agricultoras começam a fortalecer a produção de alimentos e ampliar sua autonomia no campo.
É nesse cenário que o projeto Ecoando Agroecologia, realizado pelo SEAPAC com apoio do Banco do Nordeste, avança em sua etapa de implementação, beneficiando diretamente 30 famílias da agricultura familiar em nove municípios das regiões do Alto Oeste e Açu-Mossoró: Pau dos Ferros, Encanto, São Miguel, Venha-Ver, Coronel João Pessoa, São Francisco do Oeste, Ipanguaçu, Açu e Carnaubais.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil, sendo ainda mais estratégica em regiões semiáridas, onde a produção depende de soluções adaptadas às condições climáticas. No Rio Grande do Norte, segundo a Emater-RN, a irregularidade hídrica é um dos principais fatores que impactam a produção rural, reforçando a importância de iniciativas que promovam o uso eficiente da água e a diversificação produtiva.

Placas para a construção dos biodigestores e reúsos. (FOTO: Caio Barbosa/SEAPAC.RN)
Atualmente, o projeto já contabiliza a implementação de mais de 40 tecnologias sociais, de um total de 82 que serão instaladas ao longo da execução. Cada família será contemplada com unidades que integram soluções simples, de baixo custo e alto impacto: sistemas de reúso de águas cinza, biodigestores e secadores solares, articulados com o desenvolvimento dos quintais produtivos agroecológicos.
O sistema de reúso de águas cinza permite reaproveitar a água doméstica — proveniente de pias, chuveiros e lavanderias — para irrigação, ampliando o acesso hídrico para a produção de alimentos. Já os biodigestores transformam resíduos orgânicos em biogás, utilizado no preparo de alimentos, e em biofertilizante, que fortalece o solo e reduz a necessidade de insumos externos. Os secadores solares, por sua vez, possibilitam a conservação de frutas, hortaliças e ervas, agregando valor à produção e abrindo novas possibilidades de geração de renda para as famílias.

Visitas técnicas para elaborar junto com as famílias os quintais produtivos. (FOTO: Caio Barbosa/SEAPAC.RN)
Com as construções em fase final, o projeto inicia agora uma etapa estratégica: o planejamento e organização dos quintais produtivos. Nesse momento, a equipe técnica do SEAPAC realiza visitas às comunidades para, junto às famílias, desenhar os espaços de cultivo que serão irrigados pelo sistema de reúso e enriquecidos com o biofertilizante produzido. É nesse processo que o conhecimento técnico se encontra com o saber popular, resultando em soluções adaptadas à realidade de cada território.
Mais do que estruturas físicas, as tecnologias implementadas representam mudanças concretas no cotidiano das famílias. Em algumas comunidades, os biodigestores já começam a ser alimentados, e o sonho de produzir o próprio gás de cozinha dentro de casa se torna realidade — um avanço que reduz custos, amplia a autonomia e melhora a qualidade de vida no campo.

Planejamento in loco para novas áreas de produção de alimento. (FOTO: Caio Barbosa/SEAPAC.RN)
Com 32 anos de atuação no Rio Grande do Norte, o SEAPAC segue comprometido com o fortalecimento da agricultura familiar e com a construção de alternativas sustentáveis para a convivência com o Semiárido. Em parceria com o Banco do Nordeste e com o apoio de instituições locais, o projeto Ecoando Agroecologia reafirma que é possível produzir com dignidade, respeitando o território e semeando novas possibilidades para as famílias agricultoras.