Sem categoria › 22/09/2017

Tecnologias de convivência revolucionam vida de famílias no Semiárido

Estudo revela como a chegada das tecnologias aliada a outras políticas extinguiu o estado de miséria em muitos territórios da região

Por Elka Macedo – ASACom

Maria Aparecida foi uma das agricultoras que teve sua experiência agroecológica analisada pela Pesquisa | Foto: arquivo pessoal

Maria Aparecida foi uma das agricultoras que teve sua experiência agroecológica analisada pela Pesquisa | Foto: arquivo pessoal

A cisterna me fez sair da linha da pobreza. Hoje, eu tenho de tudo, me alimento bem com produtos que eu mesma planto e colho na minha roça. Hoje eu nem recebo mais bolsa família e sou muito grata porque tenho minha produção. A cisterna facilitou muito a minha vida. Eu digo que sou uma mulher realizada, pois as cisternas pra mim é tudo, eu digo que é meu tesouro!”. O depoimento é da agricultora Maria Aparecida da Silva, residente no Sitio Verde, município de Poço da Folha, em Sergipe. Ela é uma das mais de 100 mil agricultoras que conquistaram a tecnologia de captação e armazenamento de água da chuva para consumo e produção. Com as tecnologias no quintal de casa, essas famílias conseguem viver bem nas mesmas terras que há décadas tinham sido abandonadas por famílias que, sem água e sem perspectivas, precisaram migrar para garantir a sobrevivência.

O impacto positivo das cisternas na vida de milhares de famílias que vivem na região semiárida, sobretudo a contribuição para resiliência e permanência das populações no campo, é mote da recente pesquisa feita na parceria entre a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI). O estudo “Sistemas agrícolas familiares resilientes a eventos ambientais extremos no contexto do Semiárido brasileiro: alternativas para enfrentamento aos processos de desertificação e mudanças climáticas” foi aplicado de 2012 a 2016, em territórios dos nove estados do Nordeste e envolveu cerca de 50 famílias. Desse total, foram selecionadas 10 para análise mais completa de indicadores econômico-ecológicos. Os territórios pesquisados foram: Médio Sertão (AL), Sertão São Francisco- (BA), Ibiapaba (CE), Alto Rio Pardo (MG), Borborema (PB), Cariri (PB), Sertão do Araripe (PE), Vale do Guaribas (PI), Sertão do Apodi (RN) e Alto Sertão (SE).

A pesquisa analisou as experiências das famílias na perspectiva da autonomia, na capacidade de enfrentarem períodos de escassez de chuvas, além da habilidade que têm para manter a produtividade de seus agroecossistemas. Para tanto, foram feitas avaliações comparativas retrospectivas que permitiram contrastar essas qualidades do agroecossistema em dois momentos de sua trajetória: nos anos de realização das entrevistas, de 2012 a 2014, e no momento imediatamente anterior à instalação das infraestruturas hídricas pelos programas da ASA. Em média, a comparação entre os dois períodos analisados teve a duração de sete anos.

Matéria completa: http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=10344

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