Notícias › 28/05/2015

Situação hídrica impõe priorizar água para consumo humano e animal

Água do Rio Piranhas/Assu (Foto: José Bezerra)

Água do Rio Piranhas/Assu (Foto: José Bezerra)

O Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Piancó-Piranhas-Assu (CBH PPA), Agrônomo José Procópio de Lucena, e representantes da Agência Nacional de Água (ANA) e da AESA, participaram de reuniões com habitantes da calha do rio Piranhas-Assu, nos municípios de Pombal e Paulistas, na Paraíba, nos dias 26 e 27 últimos. O objetivo foi discutir a crise hídrica no sistemas Coremas/Mãe D’Água.

Segundo o presidente do Comitê da Bacia, em cada reunião estavam em torno de 300 pessoas (agricultores, agentes públicos e políticos), além de representantes de movimentos sociais e sindicais, das Igrejas e outros segmentos da sociedade. “Ouvi a voz e vi os atingidos pela crise, que manifestavam uma indignação geral, um clamor que agoniza, a desconfiança generalizada nos agentes políticos na busca de soluções que não foram planejadas durante anos”, comenta José Procópio.

Ele disse que nos encontros surgiram ataques e denúncias com razões e sem razões contra os governantes das três esferas de governo. “Identifiquei dados e informações contraditórias sobre múltiplos usos de água deste trecho do rio. O sentimento é de total ausência de gestão e planejamento durante anos, por parte dos órgãos públicos, sobre a questão da água”, relata Procópio. Diante do quadro grave, a realidade do sistema Coremas/Mãe D’Água e as perspectivas de inverno para 2016 impõem a prioridade de uso da água para o consumo humano e a dessedentação animal, no trecho Coremas, na Paraíba, até Jardim de Piranhas, no Rio Grande do Norte.

“As estratégias, nesse momento, são de prevenção e cuidado com a quantidade e a qualidade das águas, dos ecossistemas e da vida, em geral”, afirma. Segundo Procópio, a crise é, em boa parte, consequência da degradação, de maneira alarmante, do meio ambiente e dos ecossistemas. “Esses processos podem ser irreversíveis, sobretudo se continuarmos acreditando e praticando o consumismo exagerado sem nenhum princípio ético”, profetiza.

Uma proposta saída dos encontros é que os governos, nas esferas federal, estaduais e municipais, precisam agir imediatamente com programas e ações para garantir a permanência dos agricultores familiares em suas terras, com dignidade, disponibilizando as condições de manutenção dos rebanhos. Nesta sexta-feira, dia 29, haverá reuniões em Jardim de Piranhas, pela manhã, e em Caicó, à noite, ambas na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, para tratar da questão. Na quinta-feira, 28, já houve reunião semelhante em São Bento-PB.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.