Notícias › 19/06/2017

“Sem abelha, sem alimentos”, diz pesquisador do Inpa

Além da produção de mel, as abelhas prestam um importante serviço ambiental com a reprodução e manutenção das plantas e do equilíbrio da biodiversidade.

Por Cimone Barros

A FAO criou vários programas para tentar descobrir as causas do desaparecimento desses agentes polinizadores. (Divulgação)

A FAO criou vários programas para tentar descobrir as causas do desaparecimento desses agentes polinizadores. (Divulgação)

Responsável por 30% da produção de alimento do mundo, a polinização é uma das principais funções desempenhadas pelas abelhas, insetos que em alguns países começam a sumir. O assunto que preocupa o mundo e órgãos como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), por ameaçar a segurança alimentar, foi discutido no ciclo de palestra da Semana do Meio Ambiente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A palestra a “Importância dos insetos na polinização das plantas” foi apresentada pelo pesquisador do Inpa, o biólogo com doutorado em Entomologia, Marcio Luiz de Oliveira. O pesquisador é curador da Coleção de Invertebrados do Inpa, com experiência em ecologia e conservação de abelhas. Alunos do curso técnico de Meio Ambiente do Instituto Federal de Educação do Amazonas (Ifam), de Itacoatiara, participaram da atividade.

Para entender melhor o desaparecimento e a morte massiva de abelhas melíferas (Apis mellifera), especialmente nos Estados Unidos e Europa, a FAO criou vários programas para tentar descobrir as causas do desaparecimento desses agentes polinizadores, e para proteger as abelhas e suas áreas de ocorrência. Até mesmo a NASA, agência espacial americana, anda investigando a questão.

Os estudos ainda não foram concluídos. Mas é provável que haja uma combinação de fatores para o desaparecimento das abelhas, como agentes patógenos – entre eles o vírus da asa deformada (DWV, na sigla em inglês), queimadas, desmatamento, aquecimento global e o uso de defensivos agrícolas para combater pragas nas lavouras. De acordo com Oliveira, a FAO está preocupada de que no futuro não haja oferta de alimentos ou que exista em quantidade insuficiente por conta do desaparecimento das abelhas, que além da produção de mel, prestam um importante serviço ambiental com a reprodução e manutenção das plantas e do equilíbrio da biodiversidade.

“Aqui, na Amazônia, a gente ainda não notou o sumiço das abelhas. Isso está acontecendo muito nos Estados Unidos e na Europa, que dependem, sobretudo, de poucas espécies polinizadoras. A abelha que praticamente poliniza tudo por lá é a abelha melífera (Apis mellifera), conhecida pela humanidade desde a Antiguidade”, explica Oliveira. Conforme Oliveira, uma grande parte das plantas consumidas pela humanidade, ou pelo menos as mais importantes, são polinizadas pelo vento, como trigo e arroz, que não precisam de insetos, porque o vento vem e carrega o pólen – elemento reprodutivo masculino – até a parte feminina da planta e produz o fruto. Porém, uma grande quantidade de plantas precisa de um agente para transportar o pólen até a estrutura reprodutiva feminina.

“Em contrapartida, as frutas e frutos como por exemplo abóbora, tomate, uva, maçã, cupuaçu e guaraná e outros dependem dos polinizadores para sua reprodução. Os insetos polinizadores mais importantes são abelhas, borboletas, moscas e besouros, mas o grupo com maior destaque é o das abelhas”, conta o pesquisador.

Fonte: www.domtotal.com

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