Notícias › 23/11/2017

Se a água for privatizada e tratada como mercadoria, seremos escravos

Projetos de privatizações de sistemas de abastecimento e saneamento são alvo de seminário na Câmara dos Deputados

'A água está em disputa por quem precisa para beber e produzir, e por quem precisa para a mineração e agronegócio', afirma ativista do MST (Imagem: REPRODUÇÃO/SUL21)

‘A água está em disputa por quem precisa para beber e produzir, e por quem precisa para a mineração e agronegócio’, afirma ativista do MST (Imagem: REPRODUÇÃO/SUL21)

São Paulo – A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados realizou na tarde de hoje (22) o seminário “Garantir a água como direito e não mercadoria”. Foram mais de cinco horas de exposições voltadas para a ampliação do debate sobre a preservação desse recurso, bem como o fortalecimento da soberania nacional diante de ameaças privatistas no setor. Participaram parlamentares como o deputado Patrus Ananias (PT-MG) e lideranças de movimentos sociais, como Maria Udri, representante do Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama).

Maria iniciou sua fala ao alertar sobre os riscos da privatização de sistemas de água. “Temos que ter em mente a imagem da privatização do saneamento. É algo dramático. A água é direito humano fundamental. Não há como admitirmos e subjugarmos nosso país, que tem a maior quantidade de água doce do mundo. Seremos escravos”, disse.

Patrus, que é secretário da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional, alertou para retrocessos recentes que podem impactar sobre o tema. “Tudo que conquistamos está sendo desconstituído. A Emenda Constitucional 95 (de autoria da base do presidente peemedebista Michel Temer), que chamo de emenda do desmonte, congela o país por 20 anos, congela investimentos em Saúde, Educação, agricultura familiar e, também, congela a proteção das águas. Circula um projeto para liberar a venda de terras para estrangeiros, sem limites. Com a terra, vai a água, nossos recursos e riquezas”.

O parlamentar lembrou de sua cidade natal, Bocaiuva, no norte de Minas Gerais, para argumentar que, com a escassez de água, sofrem sempre os mais pobres, e que tal recurso deve ser visto como bem público, e não mercadoria. “Estou aqui para combater a insensatez humana. Minha região é marcada pela seca. Se chover 30 dias sem parar, chamamos de tempo bom. Hoje, em Bocaiuva e Montes Claros, temos um racionamento brutal: 12 horas com água e 36 sem. Os mais ricos se viram, fazem poços. Os pobres são penalizados, sofre a agricultura familiar.”

Ananias disse que a água é elemento central da soberania nacional, como bem necessário para o desenvolvimento sustentável. “Somos pessoas com o compromisso com a soberania do País. Para nós, soberania nacional está vinculada com a popular. Nossa compreensão de país soberano é aquele que toma conta de sua gente, que possibilita que todas as pessoas tenham condições dignas”.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br

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