Notícias › 22/11/2016

Povos tradicionais e outros representantes no IX ENCONASA relatam luta por territórios

Jovem, como presente e futuro do Brasil (Foto: José Bezerra)

Jovem, como presente e futuro do Brasil (Foto: José Bezerra)

O IX ENCONASA entra no segundo dia, trazendo o primeiro painel de hoje, 22 de novembro, sobre o tema central – Povos e Territórios, Resistindo e Transformando o Semiárido, enfocado sob o olhar da Juventude, das Mulheres, dos Povos Indígenas e Quilombolas. O representante da Juventude falou da luta para continuarem no campo e disse que o jovem não é apenas o futuro do Brasil. “Somos o futuro, mas também somos o presente”, defendeu.

Maria Rosalina, de uma comunidade Quilombola do Piauí, foi enfática na fala que fez. “Fomos trazidos da África para sermos escravos, e tivemos que nos adaptar. Mas não conseguiram tirar nossa autoestima; não tiraram nossa capacidade de luta; resistimos e não fomos destruídos. Hoje, nossa bandeira de luta é a defesa do nosso território”, enfatizou. Atualmente, existem cerca de 5 mil comunidades quilombolas, no Brasil.

Outra comunidade de povos tradicionais presentes no painel foi o Povo Xacriabá, do Norte de Minhas Gerais. “Vivíamos às margens do São Francisco e fomos obrigados a sair para longe do rio. O que queremos não é terra de

Maria Rosalina, quilombola do Piauí (Foto: José Bezerra)

Maria Rosalina, quilombola do Piauí (Foto: José Bezerra)

ninguém, é nossas terras de volta”, disse Ivaneuda Maria. Ela relatou que as terras foram remarcadas em 1979 e, em 1987, houve uma chacina, o que obrigou o governo a indenizar os fazendeiros que ocupavam as terras indígenas. “Desde então, não tivemos mais conflitos, mas ainda tem muita perseguição”, relatou.

Ivone Brilhante, do Sítio Góis, da Capada do Apodi, no Rio Grande do Norte (Foto: José Bezerra)

Ivone Brilhante, do Sítio Góis, da Capada do Apodi, no Rio Grande do Norte (Foto: José Bezerra)

Outro relato de luta por território foi feito por Ivone Brilhante, do Sítio dos Goiás, da Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte. Ela relatou a luta das famílias da chapada contra o agronegócio, que está matando a agricultura familiar. “Eles não podem entrar nos assentamentos, mas o veneno do agronegócio invade a chapada e está matando as abelhas, comprometendo a apicultura”, relatou Ivone.

 

Ivaneuda Maria, Povo Xadriabá, do Norte de Minhas (Foto: José Bezerra)

Ivaneuda Maria, Povo Xadriabá, do Norte de Minhas (Foto: José Bezerra)

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