Notícias › 22/01/2015

Painelistas expõem experiências com agricultura familiar e agroecologia

Painel do Seminário Internacional (httpaspta.org.br)

Painel do Seminário Internacional (httpaspta.org.br)

Um painel com convidados internacionais marcou o primeiro dia do Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas, ontem, 21 de janeiro, no Instituto Nacional do Semiárido (INSA), em Campina Grande-PB. Os painelistas foram Clara Inês Nicholls, coordenadora geral da Rede Iberoamericana de Agroecologia para o Desenvolvimento de Sistemas Agrícolas Resilientes e Mudanças Climáticas (REDEGRES); Souleymane Cissé, da ONG Senegalesa IED-Afrique (Inovação, Meio Amiente e Desenvolvimento); e Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, também representante da ASA Brasil.

Souleymane Cissé apresentou um contexto da região conhecida como Sahel, uma faixa de mais 5.000km de extensão, situada na África Subsaariana, entre o oceano Atlântico e o Mar Vermelho. Disse que, apesar da região ter um clima bastante vulnerável, de 80% a 90% da atividade agrícola é formada pela agricultura familiar, responsável por 60% da alimentação produzida. Para Souleymane, comparando as realidades do seu país e do Brasil, o contexto brasileiro é mais favorável para a agroecologia: “as pessoas e os governos compreendem melhor o significado da agroecologia”, disse.

Clara Nicholls, colombiana e coordenadora da Redegres, falou sobre o impacto das mudanças climáticas em diversas partes da América Latina, com os fenômenos El niño (seca) e La niña (inundações e deslizamentos). Para a pesquisadora, os estudos mostram que os pequenos agricultores são os que mais sofrem com os efeitos destes fenômenos. Ela observou que, em diversos casos pesquisados, os sistemas agroecológicos se mostraram muito mais eficientes, do ponto de vista energético, do que os sistemas convencionais, que gastam mais energia e produzem menos.

Luciano Silveira, coordenador da AS-PTA e representante da ASA Brasil, fez uma contextualização sobre o semiárido brasileiro, que tem 1,7 milhão de famílias agricultoras, o que representa 35% do contingente da agricultura familiar do país. Luciano lembrou que o processo histórico de ocupação da região foi marcado pela concentração do acesso aos recursos como a água e a terra, em um modelo centrado na agricultura para exportação e em um padrão de desenvolvimento predatório dos recursos naturais. As soluções propostas eram pensadas na lógica do ‘combate à seca’. Luciano explicou que a estratégia da ASA foi a da descentralização do acesso aos recursos, tendo a água como o primordial deles. Segundo ele, a entrada da água a partir da construção das infraestruturas hídricas, a valorização da inserção social e econômica das mulheres e a participação ativa das comunidades, trouxeram impactos múltiplos e fizeram com que as famílias atravessassem os últimos períodos de seca com muito mais tranquilidade.

O Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas segue até amanhã, 23 de janeiro.

Fonte: http://aspta.org.br/2015/01/

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