Notícias › 30/08/2016

Mulheres unidas não se calam diante de um governo machista

Por Gleiceani Nogueira – ASACom

Cida Silva diz que o trabalho na associação de mulheres gerou empoderamento| Foto: Daniela Bento

Cida Silva diz que o trabalho na associação de mulheres gerou empoderamento| Foto: Daniela Bento

SÉRIE NENHUM DIREITO A MENOS | Maria Aparecida da Silva (Cida Silva) é agricultora, mãe de cinco filhos, e secretária de Política Agrícola e Meio Ambiente do Sindicato de Porta da Folha, em Sergipe. É também integrante de uma associação de mulheres que tem o objetivo de produzir alimentos saudáveis. A cerca de 500 km de Porto da Folha, no município de Queimadas, na Paraíba, a agricultora Angeneide Pereira de Macedo também desenvolve um trabalho com mulheres, mais especificamente com quintais produtivos. Ela também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e teve cinco filhos.

Em vários cantos do país, de norte a sul, no campo e na cidade, existem mulheres como Cida e Angeneide que desempenham diversas funções e que estão unidas na luta contra as desigualdades de gênero. Para muitas delas, o trabalho com outras mulheres em seus mais variados formatos seja no âmbito local, estadual ou nacional tem sido catalisador de mudanças que vão desde uma maior consciência sobre o seu papel de mulher como sujeito político até o enfrentamento e a superação da violência, que é um problema grave do país.

“O trabalho da associação é ótimo, o companheirismo, o coletivo sempre é bom. E mudou muito a vida das mulheres. Eu acho que o empoderamento é o principal. Antes não tinha isso. A mulher era mais na cozinha, não sabia quais eram os seus direitos, nem reivindicar os seus direitos”, relata Cida. A associação surgiu com o objetivo de promover a segurança alimentar na região devido ao alto índice de desnutrição que atingia as famílias. Mas é também um espaço onde as mulheres discutem seus direitos e debatem sobre as políticas públicas. Elas também têm a preocupação de passar para as outras mulheres da comunidade o conhecimento adquirido.

Com a venda dos produtos da sua horta e com o trabalho da associação, Cida sustenta a casa. O marido, que trabalhava de alugado [na propriedade de outra pessoa], hoje trabalha com ela na agricultura. “Eu digo às mulheres que saiam da cozinha e venham ocupar o [seu] lugar. Que se junte a outras. Onde tiver uma ou mais se reúna porque ali tem algo bom pra passar […] Nós temos os mesmos direitos [dos homens] e somos iguais”.

Reportagem completa: http://www.agroecologia.org.br/2016/08/29/mulheres-unidas-nao-se-calam-diante-de-um-governo-machista/

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