Notícias › 02/10/2015

Movimentos vão às ruas exigir mudança na política econômica e defender a Petrobras

Por Pedro Rafael Vilela e Bruno Pavan,
De Brasília (DF) e São Paulo (SP)

Crédito: Roberto Parizotti/CUT (www.brasildefato.com.br)

Crédito: Roberto Parizotti/CUT (www.brasildefato.com.br)

No aniversário de 62 anos da Petrobras, no próximo dia 3 de outubro, a Frente Brasil Popular (FBP), que articula dezenas de movimentos e organizações sociais em todo país, convocou atos políticos em mais de 30 cidades para defender a principal empresa brasileira, que está ameaçada de perder o controle sobre algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. A principal ameaça é o projeto de lei 131/2015, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende tirar da Petrobras a função de operadora única do pré-sal, reservas que podem conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo.

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), há uma campanha que mistura os graves episódios de corrupção descobertos pela Lava Jato com a missão da empresa. Para José Maria Rangel, coordenador da FUP, os mesmos setores que há décadas tentam privatizar a Petrobras e as empresas internacionais de petróleo estão por trás dessas movimentações. “Aqueles que praticaram atos de corrupção na empresa já estão sendo investigados. O que não podemos aceitar é que a mídia se aproveite disso para atacar dia e noite a Petrobras, passando a impressão de que ela está na bancarrota. Isso é mentira. A empresa tem batido recordes que nunca são noticiados”, protesta.

Já a coordenadora do Sindipetro Unificado do Estado de São Paulo, Cibele Vieira, lembrou que com o pré-sal o país se tornaria um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo e que a luta pela defesa da estatal existe desde que ela foi criada. “Se tem interesse internacional no petróleo no oriente médio, aqui no Brasil não é diferente”, apontou.

Na entrevista coletiva da Frente Brasil Popular, que aconteceu na última quinta-feira (1) em São Paulo, Cibele também informou que os petroleiros estão planejando uma grande greve contra o novo plano de negócios da estatal, que entre outras coisas, já autorizou a abertura de 25% do capital da BR Distribuidora.

Produção

Só no primeiro semestre de 2015, apesar da Lava Jato, a Petrobras ampliou em 9% sua produção de petróleo e registrou lucro líquido superior a R$ 5 bilhões.

De fato, a importância da Petrobras para a economia brasileira é facilmente medida em números. As riquezas que a estatal produz representam 13% do Produto Interno Bruto (PIB), geram milhões de empregos e 42% de todos os investimentos da indústria nacional. Para José Antônio Moraes, que é coordenador de relações internacionais da FUP, a disputa petrolífera é ainda é algo “muito importante” no mundo. Ele cita a Guerra do Iraque (2001-2003) como marco na retomada das enormes reservas iraquianas pelas empresas multinacionais. A derrubada de Saddam Hussein também acabou com o controle das reservas por uma empresa nacional. Mais recentemente, mesmo com a queda no preço do barril de petróleo, a gigante Shell pagou 70 bilhões de dólares (cerca de R$ 280 bilhões) pela compra da BG Group. “Não é por acaso, a BG tem participação em cinco campos do pré-sal na Bacia de Santos. Há um claro interesse da Shell nessa compra, que é ampliar sua presença em nossas reservas e a mudança na lei de partilha é crucial para eles”, avalia Moraes.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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