Notícias › 18/10/2017

Meteorologista que previu nove anos de seca no Nordeste admite volta das chuvas em 2018

Luiz Carlos Molion, Doutor em Meteorologista (Foto: do perfil do Facebook)

Luiz Carlos Molion, Doutor em Meteorologista (Foto: do perfil do Facebook)

O doutor em meteorologia Luiz Carlos Molion, que previu nove anos de poucas chuvas no sertão do Rio Grande do Norte, admite que 2018 o inverno ficará em torno da média ou um pouquinho acima dela no Semiárido nordestino.

Em entrevista ao Extreme Borborema, um grupo de caçadores de tempestade, Molion disse que o inverno vai depender da intensidade de La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico, que vem evoluindo desde o final de agosto. “Então, o que a gente pode esperar agora em 2018? Sendo La Niña de moderado a forte, podemos esperar um ano bom em 2018 no Nordeste, de uma maneira geral, com chuvas na média ou acima da média”, disse Molion.

Professor da Universidade Federal de Alagoas e representante da América do Sul na Organização Meteorológica Mundial, Molion acha que La Niña permanecerá atuando no Pacífico até 2019, o que significa dizer que também haverá inverno naquele ano na parte mais seca da região, onde praticamente já não há mais água para distribuição via carros-pipa.

Os dados meteorológicos indicam que El Niño de 2015/2016 foi o mais intenso dos últimos 50 anos. O reflexo disso pode ser visto com mais nitidez nos maiores reservatórios de água do Rio Grande do Norte, todos já caminhando para o volume morto.

A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, está com apenas 346,9 milhões, ou 14,4% da capacidade de armazenamento. A água da barragem é usada pela Caern para o abastecimento de dezenas de cidades nas regiões Oeste, Médio Oeste e Central. Em um mês, a barragem perdeu 18 milhões de metros cúbicos. Boa parte dessa água foi transportada em caminhões para comunidades rurais do sertão do Rio Grande do Norte.

Seca

Os registros da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), responsável pelo monitoramento das chuvas no Rio Grande do Norte, mostram que em 52 municípios houve seca severa e em outros 58 as chuvas ficaram abaixo do normal. Em 28 deles (16,7%) elas atingiram ou ficaram acima da média histórica.

Não só poucas. As chuvas foram irregulares, o que impediu o plantio das sementes que o governo do Estado distribuiu com os agricultores familiares. No Médio Oeste, 50 quilômetros separam os municípios de Campo Grande e Messias Targino. No meio dos dois fica Janduís. Em 2017 choveu 1.032 milímetros em Campo Grande, volume que caracteriza o inverno como chuvoso (40% acima do normal); 525 mm em Janduís (seco) e 377 mm em Messias (muito seco).

Molion defende a tese (polêmica) de que a ação do homem no meio ambiente não tem força para provocar o aquecimento global. Ele afirma que a redução ou o aumento no volume de chuvas segue um ciclo que dura entre 25 e 30 anos. Algumas regiões, como o Nordeste, estão passando por um período semelhante ao que ocorreu entre 1948 e 1976, com menos dias de chuva no ano.

Fonte: http://www.blogoops.com.br – Postado por: Vicente Neto

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