Notícias › 23/03/2015

Indígenas peruanos pedem providências do governo por vazamentos de petróleo

Por Cristina Fontenele
Adital

Seguidos vazamentos da Petroperú ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas

Seguidos vazamentos da Petroperú ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas

Comunidades indígenas Kukamas, do Departamento de Loreto, denunciam a impunidade e corrupção da atividade petroleira na selva peruana e reclamam do abandono por parte do governo. Os seguidos vazamentos de petróleo da empresa estatal Petroperú têm ameaçado a sobrevivência dos povos da Amazônia peruana. Água, terra, plantas e animais contaminados provocam vulnerabilidade. Justiça, dignidade e respeito à vida plena é o que clamam os povos indígenas.
O primeiro derrame da Petroperú ocorreu em 26 de junho de 2014, na estação 1, do Oleoduto Norperuano, Departamento de Loreto. Um segundo vazamento aconteceu dias depois, em 30 de junho, na localidade de Cuninico, Distrito de Urarinas, também em Loreto, no trecho I do Oleoduto, aproximadamente 2,8 quilômetros ao oeste do cruzamento do Oleoduto com o rio Cuninico. Os desgastes e a má conservação do Oleoduto, que funciona há 40 anos, seriam a causa do problema. Um terceiro derrame viria meses depois, em 16 de novembro de 2014, no território da comunidade Kukama San Pedro, ainda na Província de Loreto, abrangendo cerca de 5 quilômetros. Comunidades nativas Kukamas de Cuninico, Nueva Santa Rosa, Urarinas, Nueva Esperanza, San Francisco, Saramuro e San Pedro foram profundamente afetadas.
Para o advogado do Instituto de Defesa Legal (IDL), Juan Carlos Ruiz Molleda, é evidente que o Estado abdicou de sua função de proteção do direito e da saúde das comunidades Kukamas. Haveria uma omissão do governo na fiscalização da Petroperú. A empresa ainda não teria adequado o Oleoduto Norperuano ao decreto D.S. N° 0081-2007-EM, que aprovou o Regulamento de Transportes de Petróleo através de Dutos. A Direção Geral de Saúde Ambiental (Digesa) e a Diretoria Regional de Saúde (Diresa) também não estariam cumprindo sua função de protegerem a saúde das comunidades nativas. Os Kukamas exigem providências.
“Além de tudo o que é dito retoricamente nas demonstrações e conferências de imprensa, o que dizem as autoridades estaduais para a imprensa, a realidade das coisas é que, após oito meses do vazamento, o Estado continua a avaliar a declaração de emergência ambiental.”, denuncia Molleda.

Fonte: http://site.adital.com.br/

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