Notícias › 30/05/2017

Globalizando a luta contra a perda de direitos e os agrotóxicos

Enquanto bancada ruralista no Brasil destrói leis de proteção ambiental e desrespeita os direitos humanos, plebiscito na Suíça pode mudar legislação que fiscaliza ação de multinacionais no exterior.

Por Fernanda Cruz – Asacom

Bancada ruralista aproveita instabilidade política no país para afrouxar leis de proteção ao meio ambiente (www.asabrasil.org.br)

Bancada ruralista aproveita instabilidade política no país para afrouxar leis de proteção ao meio ambiente (www.asabrasil.org.br)

Enquanto os parlamentares brasileiros se aproveitam da instabilidade política do país para afrouxar leis que garantem os direitos humanos e a proteção ambiental, países como a Suíça vêm sofrendo pressão popular para tornar suas leis ainda mais rígidas quando trata-se da  garantia desses direitos não apenas no país, mas também no exterior.

A campanha Globale Geschäfte, Globale Verantwortung (algo como: Negócios Globais, Responsabilidades Globais) reivindica que as empresas multinacionais com sede na Suíça atendam critérios legais de proteção aos direitos humanos em todos os países onde atuam e para isso exige a criação de uma nova lei que possa regulamentar as atividades também no exterior.

A campanha é puxada pela Konzernverantwortungsiniciative, uma articulação de 80 instituições suíças. “O fato é que para sua ação na Suíça essas empresas têm que atender critérios em termos de proteção ambiental, social e de não-violação de direitos humanos, mas o trabalho no exterior não é monitorado”, relata Andrea Zellhuber, da Terre Des Hommes Schweiz, uma das organizações envolvidas na campanha.

A iniciativa aponta que “frequentemente, empresas suíças das áreas têxtil, de mineração, do agronegócio e farmacêutica estão envolvidas em casos relacionados à violação dos direitos humanos em países da África, Ásia e América Latina”. No caso do Brasil, por exemplo, a aprovação dessa lei na Suíça pode desacelerar a exploração desenfreada das nossas águas, da nossa biodiversidade e, sobretudo, a venda e uso de agrotóxicos. Nestlé, Novartis, Roche e Syngenta são algumas das empresas que atuam aqui.

Diferentemente do que tem ocorrido no Brasil, onde os pleitos da sociedade estão longe de provocar um plebiscito, até o início do próximo ano, o povo suíço irá às urnas para decidir o que quer. “O plebiscito nacional para votarmos se haverá uma proposta de lei sobre isso ou não foi uma grande vitória dessa campanha. Acreditamos que não será uma votação fácil, mas temos chances reais, pois as pessoas têm consciência do efeito do trabalho dessas multinacionais no exterior”, diz Andrea.

Fonte: www.asabrasil.org.br

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