Notícias › 20/03/2018

Extração de diamantes e privatização deixam pessoas sem água no Zimbábue

Avanço da mineração, que expulsa populações de seus territórios, e o controle privado das fontes obrigam mulheres a caminhar mais de 20 quilômetros para encher seus baldes

Em 2008, o Zimbábue enfrentou a pior crise hídrica da história. Alegando falta de recursos, o governo deixou de tratar a água que causou cólera e tifo, matando mais de 2 mil pessoas (Foto: TSVANGIRAYI MUKWAZHI/UNICEF)

Em 2008, o Zimbábue enfrentou a pior crise hídrica da história. Alegando falta de recursos, o governo deixou de tratar a água que causou cólera e tifo, matando mais de 2 mil pessoas (Foto: TSVANGIRAYI MUKWAZHI/UNICEF)

Mulheres que têm de caminhar 20 quilômetros em busca de água para suas famílias são uma cena comum em regiões do Zimbábue, no sul da África. E não é devido à seca, ou por questões climáticas, mas por causa do avanço da mineração de diamantes, que expulsa famílias tradicionais de seus territórios.

A denúncia foi feita pelo ativista dos direitos humanos daquele país, Farai Maguwu, em palestra neste domingo, na Universidade de Brasília, durante atividade do Fórum Alternativo Mundial da Água – Fama 2018, que vai até dia 22. O evento é realizado pelos movimentos sociais em contraponto ao 8º Fórum Mundial da Água (World Water 8), também realizado em Brasília, organizado por entidades empresariais e representantes de governos de diversos países.

Diretor da organização CNRG (Centro de Governança dos Recursos Naturais) do Zimbábue, Maguwu atua em questões ambientais, mineração artesanal e gênero, entre outras. Segundo ele, desde que foram descobertas jazidas de diamantes em Marange, no sudeste do país, em 2006, o comércio ilegal das pedras preciosas tem ocupado investidores. As minas são as maiores descobertas em todo o mundo nos últimos 100 anos e atraem garimpeiros, especialmente jovens, já que o desemprego é grande no país.

Garimpo

A atividade compromete também a segurança do país. As áreas de garimpo são protegidas e militares fazem a guarda. Sem cerimônia, disparam contra as pessoas, “matando 400 em poucos meses”, segundo Farai Maguwu. Há também casos de estupro de mulheres, sob as armas de militares. “Isto é a mineração no Zimbábue. Uma guerra contra o povo, com a área se desertificando, com mulheres tendo de caminhar 20 quilômetros atrás de água”, declarou.

Em 2008, quando o país viveu a pior crise hídrica da história, mais de 2 mil pessoas morreram de cólera e tifo causadas pelo consumo de água sem tratamento. Uma época difícil, lembra ele, quando depois de muita dificuldade conseguiram informar autoridades externas, já que o governo negava a existência da crise humanitária.

Fonte: www.redebrasilatual.com.br

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