Notícias › 15/08/2016

Entidades querem SP contra os agrotóxicos: estado consome 4% da produção mundial

Ideia é constituir um espaço permanente de debate sobre os impactos à saúde do trabalhador, do consumidor, da população em geral e ao ambiente em articulação com instituições públicas

Por Cida de Oliveira, da RBA

Sob argumento do "aumento de produção", os agrotóxicos causam intoxicações, câncer e malformações (Foto: VENILTON KÜCHLER/FOTOS PÚBLICAS)

Sob argumento do “aumento de produção”, os agrotóxicos causam intoxicações, câncer e malformações (Foto: VENILTON KÜCHLER/FOTOS PÚBLICAS)

São Paulo – Representantes da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e da CUT, entre outras entidades, defendem a criação de um fórum paulista de combate aos agrotóxicos nos moldes de fóruns existentes em praticamente todo o país. A ideia é constituir um espaço permanente de debate sobre os impactos à saúde do trabalhador, do consumidor, da população em geral e ao ambiente em articulação com instituições públicas.

A reivindicação é um dos encaminhamentos da audiência pública realizada na manhã de hoje (12), no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, na capital paulista, no âmbito das atividades da comissão especial da Câmara que discute o Projeto de PL 3.200/2015, mais conhecido como “PL do Veneno”.

De autoria do deputado federal Covatti Filho (PP-RS), o projeto tem sido repudiado por entidades de saúde, ambientalistas, sindicais e de defesa do consumidor, entre outras, porque permitirá o aumento do uso de agrotóxicos no país e o agravamento dos impactos à saúde, meio ambiente e segurança alimentar. Isso porque praticamente revoga a Lei de Agrotóxicos 7.802/89, afrouxa punições previstas, compromete o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), elaborado no governo da presidenta Dilma Rousseff no âmbito da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo).

Demanda de todas as organizações sociais do campo que atende a necessidades da população urbana – e uma das principais prioridades dos fóruns e da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos – o Pronara ainda não foi implementado. Estava sob coordenação do Ministério do Desenvolvimento Agrário, extinto pelo governo interino de Michel Temer (PMDB). Sua implementação depende, agora, de pressões da sociedade.

“Enquanto os países europeus estão em pé de guerra contra os agrotóxicos e a OMS recomenda menos agrotóxicos, o Brasil vai na contramão. O estado de São Paulo, sozinho, consome 4% de todo o agrotóxico produzido no mundo. Uma grande tragédia contra a saúde da população, especialmente do interior. E nem sequer temos um fórum para esse debate”, diz o defensor público Marcelo Novaes, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em Santo André.

“Se antes a população do interior fazia excursões para o Paraguai para comprar muamba ou para Aparecida, para rezar na catedral, hoje fazem excursão para centros de oncologia. Estamos vivendo uma terra arrasada no interior de São Paulo”, diz o defensor. Novaes é autor de recomendação à Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André (Craisa), que recentemente lançou uma página na internet com resultados de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos na região.

Matéria completa: http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2016/08/entidades-defendem-criacao-de-forum-paulista-de-combate-aos-agrotoxicos-1532.html

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