Notícias › 03/03/2017

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”

Marcha MG_2631.jpg (www.aspta.org. br)A oitava edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada pelo Polo da Borborema e pela AS-PTA, chega esse ano ao brejo Paraibano. “É melhor morrer na luta do que morrer de fome” – há mais de 30 anos, a sindicalista Margarida Maria Alves pronunciava a célebre frase durante a comemoração do 1º de maio, meses antes de ser brutalmente assassinada em Alagoa Grande-PB, a mando das oligarquias locais. Naquela época, a paraibana Margarida liderava na região a luta por direitos trabalhistas dos assalariados da cana. Em 2017, mais de 5 mil camponesas se reunirão, no dia 08 de março, quarta-feira, dessa vez em Alagoa Nova, município vizinho à terra de Margarida e palco, na época, das muitas lutas encampadas por ela e pelo movimento sindical, para reerguerem seu grito por justiça e para lutarem por nenhum direito a menos.

Nessa edição, as mulheres agricultoras se unem em torno de duas pautas: juntam-se aos movimentos nacionais contra a reforma da previdência proposta pelo atual governo e que significa o retrocesso das históricas conquistas do movimento de mulheres. A PEC 287/2016, que propõe igualar a idade mínima de aposentadoria entre homens e mulher, penaliza toda classe trabalhadora e, de forma mais violenta, as mulheres rurais, ao desconsiderar o volume, as condições de trabalho diário e a idade em que as camponesas começam a contribuir na produção familiar.

Marcharão também pelo fim da “cultura do estupro”, termo usado para apontar comportamentos que silenciam ou relativizam a violência sexual contra a mulher, atribuindo à vítima a culpa pelos crimes. Desde o ano passado, a região da Borborema vem enfrentando uma onda de estupros, que vitimaram 44 mulheres só entre os meses de agosto e outubro, em oito municípios. Graças à mobilização do movimento de mulheres da região, conseguiu-se prender, em novembro passado, o estuprador de 35 destes casos. Segundo às organizadoras, a Marcha de 2017 pretende ser um espaço tanto de denúncia da situação de insegurança enfrentada pelas mulheres, como de acolhimento das vítimas, para que retomem suas vidas após a violência sofrida.

Também será espaço para afirmação do papel histórico e das conquistas das mulheres agricultoras em seu trabalho para a produção de alimentos saudáveis em bases agroecológicas, contribuindo para a segurança e soberania alimentar e na geração de riquezas.

Fonte: www.aspta.org.br

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.