Destaques › 07/02/2018

“Eu vivia na escuridão”, diz agricultora que aprendeu a ler

Implantado no Brasil pelo MST, projeto é apoiado pelo governo do Maranhão e já alfabetizou mais de 7 mil no estado

Por Cristiane Sampaio, Brasil de Fato

A dona de casa Doralice dos Santos Oliveira aprendeu a ler aos 53 anos (Foto: Leonardo Milano/Mídia Ninja)

A dona de casa Doralice dos Santos Oliveira aprendeu a ler aos 53 anos (Foto: Leonardo Milano/Mídia Ninja)

A dona de casa Doralice dos Santos Oliveira já contava 53 anos – mais de 40 deles trabalhados na enxada, sob o sol ardente do campo – quando conheceu o mundo das letras. “A coisa que mais achei bom na vida foi ir pra escola”, conta. Moradora do município de Itaipava do Grajaú, interior do Maranhão, e filha de analfabetos, ela passou a vida utilizando a digital para assinar documentos, uma necessidade que só mudou em 2016.

Depois de um convite do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ela passou a frequentar o projeto Sim, Eu Posso. Foram oito meses de aulas até que Dona Dora – como é conhecida na comunidade – passasse, enfim, a fazer parte das novas estatísticas do Estado. Ela é uma das cerca de 7 mil pessoas que se formaram pelo projeto, uma iniciativa voltada para a alfabetização de jovens, adultos e idosos, apoiada pelo governo estadual do Maranhão.

Baseado num método cubano e adaptado ao Brasil pelo MST, o projeto é hoje a esperança de milhares de maranhenses que viveram por muitos anos sem o direito de saber ler e escrever. “Quem não sabe [ler] vive no mundo só pra dizer que está vivendo, mas não sabe de nada. É como se estivesse no escuro, entendeu? A gente vê as coisas, mas não sabe o que é”, conta Doralice.

O Maranhão é o terceiro Estado brasileiro em número de analfabetos, alcançando 840 mil pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais no Estado é de 16,7%. Essa realidade se transforma à medida que novas pessoas ganham assento em uma das turmas do Sim, Eu Posso. Em 2017, foi desenvolvida a segunda etapa do projeto, com mais de 20 mil alunos, em 15 municípios. Na primeira jornada, em 2016, cerca de 75% dos 9.482 inscritos encerraram o curso alfabetizados.

Leia a matéria completa: https://www.brasildefato.com.br/2018/02/07/eu-vivia-na-escuridao-diz-agricultora-que-aprendeu-a-ler-com-metodo-cubano/

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