Notícias › 29/05/2017

Deputado nega, mas quer legalizar a caça no país, denunciam ambientalistas

PL de Valdir Colatto (PMDB-SC) introduz no país reservas de caça e a comercialização de animais oriundos de áreas de preservação, além de autorizar abate dos que supostamente ameacem a agropecuária

Por Eduardo Maretti, da RBA

Lei prevê que agricultores que se sentirem ameaçados por animais silvestres, como a onça pintada, já em vias de extinção, poderão abatê-los sem serem incriminados (Foto: CHARLESJSHARP / CC 2.0 / WIKIMEDIA)

Lei prevê que agricultores que se sentirem ameaçados por animais silvestres, como a onça pintada, já em vias de extinção, poderão abatê-los sem serem incriminados (Foto: CHARLESJSHARP / CC 2.0 / WIKIMEDIA)

São Paulo – Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6268/2016, do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), que reintroduz no país a caça de animais silvestres, o que é proibido no Brasil desde 1967. Embora revestido de retórica legislativa, ambientalistas consideram o projeto uma brutal violência ao meio ambiente e à fauna. Não apenas abre brechas para a caça, mas a torna legal, além de introduzir a comercialização de animais oriundos de áreas de preservação.

“Não tem nada a ver com a caça. Tem a ver com controlar animais que viraram praga. Precisa fazer uma legislação para controlar”, defende Colatto. O parlamentar cita morcego, barata, rato, escorpião e javali, para justificar seu projeto. Segundo ele, são “animais que prejudicam a economia e trazem problemas de doença. O javali traz raiva, peste suína e aftosa, não tem controle nenhum, está solto e entrando nas propriedades”. Pela atual legislação, apenas o javali europeu tem caça permitida no Brasil pelo Ibama, pois o animal não é nativo e é considerado uma praga.

Para ambientalistas, o PL 6268 vai muito além do que diz o deputado. Por exemplo, cria as chamadas reservas cinegéticas, ainda inexistentes no país. “Isso nada mais são do que lugares autorizados para a caça esportiva de animais”, explica Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

Em seu artigo 20, o PL de Colatto diz expressamente que “a eutanásia e o abate de animal silvestre só são admissíveis quando o animal for considerado nocivo às atividades agropecuárias e correlatas, mediante apresentação de laudo comprobatório pelo órgão competente”. Em outras palavras, se uma onça for considerada uma ameaça por agricultores, o abate do animal será respaldado pela lei.

Segundo Colatto, a campanha contra seu projeto “aconteceu porque o Greenpeace colocou (a foto de) uma onça atravessando um lago e dizendo que estou autorizando a caça à onça. Não sabem o que estão falando”.

“O que o deputado tenta é culpar o termômetro pela febre”, diz Astrini. “Mas foi ele quem escreveu o PL. Ele deveria assumir o que escreve e dizer que escreveu porque pensa assim. Ele escreve e quer no discurso enganar as pessoas dizendo que o que escreveu não existe.”

Fonte: www.redebrasilatual.com.br

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