Notícias › 10/10/2016

Conviver com a seca é aprendizado constante do povo do semiárido

Tecnologias sociais tem sido ferramentas importantes para abastecimento de água dessa população

Elen Carvalho, Brasil de Fato

Cisterna-enxurrada, tecnologia social do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA / Manuela Cavadas/Arquivo Asacom

Cisterna-enxurrada, tecnologia social do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA / Manuela Cavadas/Arquivo Asacom

Diversos estados brasileiros vem lidando com a questão da seca atualmente. No Nordeste, onde o fenômeno já é um conhecido do povo, a seca vem desde 2012. Essa é considerada pelos pesquisadores como uma das mais severas enfrentadas pela população. Contudo, é possível ver uma melhor convivência com esses períodos de grandes estiagens por parte de quem reside no Semiárido brasileiro. Essa melhoria vem de um fator já conhecido: a luta e a resistência popular. Soma-se a isso as diversas iniciativas da sociedade civil organizada.

João Suassuna, engenheiro agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, aponta que, neste momento, o que mais pesa é o fato de ser o quinto ano consecutivo de seca. “Não temos água nos açudes. O açude de Jucazinho (PE), que abastecia muitos municípios, por exemplo, secou. A forma imediata de resolver esse problema foi levar caminhões – pipa. Mas, a tendência dessa seca é piorar. Pois a quadra chuvosa da nossa região só acontece a partir de fevereiro”, observa o pesquisador.

Apesar desse cenário crítico, a população tem conseguido lidar com esse fenômeno de forma mais positiva. “Estamos vivendo um dos maiores períodos de estiagem do Semiárido brasileiro e observamos que não houve morte humana e que não houve forte processo de migração campo/cidade. Muitas políticas que incidiram no Semiárido permitiram que as famílias ficassem”, reflete Glória Araújo, coordenadora da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) na Paraíba.

No Rio Grande do Norte, onde cerca de 75% dos municípios passam por escassez de água, a família de Dona Fátima e Seu Manoel tem conseguido produzir alimentos para consumo e ter água para beber. A filha do casal, Macioneide Lopes, 34 anos, conta que a chegada da cisterna há oito anos e a produção por meio do quintal produtivo tem sido uma experiência importante. A propriedade tem 2,4 hectares e produz uma diversidade de alimentos.

“As cisternas são nossa fonte de água e garantem que a gente possa produzir os alimentos para nosso consumo e que a gente possa fazer as coisas de casa e ter água para beber. Antes era bem mais complicado conseguir água. Mas a gente fica preocupada também, porque se não chover até o final do ano, vai ficar mais difícil. Sem água a gente não planta e não come”, afirma Macioneide.

Matéria completa: https://www.brasildefato.com.br/2016/10/07/conviver-com-a-seca-e-aprendizado-constante-do-povo-do-semiarido/

 

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