Notícias › 14/05/2018

Caravana baiana se prepara para o IV ENA com suas vivências e resistências

Momento do encontro, com 170 representantes de povos dos vários territórios (Foto: www.asabrasil.org.br)

Momento do encontro, com 170 representantes de povos dos vários territórios (Foto: www.asabrasil.org.br)

Com o lema “Agroecologia e Democracia Unindo Campo e Cidade”, a Bahia realizou o II Encontro Estadual de Agroecologia, nos dias 9 e 10 de maio, no município de Santa Bárbara. Durante os dois dias, 170 representantes dos povos da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica se reuniram para refletir sobre suas vivências agroecológicas e sobre o que vem ameaçando seus territórios. O evento também teve o objetivo de organizar a caravana da Bahia que irá ao IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), entre 31 de maio a 03 de junho, em Belo Horizonte (MG).

Durante o encontro, as rodas de diálogo destacaram as denúncias e os conflitos nos territórios, a partir dos depoimentos sobre a violência no campo e o massacre de lideranças que atuam na luta pela terra; a ameaça das torres de energia eólica e das empresas mineradoras nas comunidades tradicionais; a contaminação pelos agrotóxicos; a redução das políticas de apoio à agroecologia e à agricultura familiar; o desmonte dos programas de acesso à mercado; a precariedade da educação no campo; a mercantilização da água e a concentração midiática. Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Bahia, afirma que é preciso articular as iniciativas dos territórios para fortalecer a Agroecologia e enfrentar os grandes projetos. “A Agroecologia é uma preocupação com o significado das coisas. Ainda somos ilhas, nichos de sustentabilidade diante dessa devastação, mas temos condições de reafirmar nossas utopias e virar esse jogo”, disse.

Apesar das ameaças, as experiências agroecológicas mostram a mudança que vem se fortalecendo com a alimentação saudável das famílias, as feiras agroecológicas, a comunicação popular, os grupos produtivos, as campanhas contra os agrotóxicos, a agricultura urbana e periurbana e a certificação participativa. Nesse perspectiva, Caio Tatamiya, do Fórum Baiano da Agricultura Familiar aponta que a agroecologia é um caminho político para que as pessoas deixem de ser vítimas e se assumam enquanto sujeitos que resistem às ameaças de viver no campo. Da mesma maneira afirma Célia Watanabe, da Bahiater: “A agroecologia não é só uma forma de plantar. Agroecologia é um jeito de se portar no mundo através de relações entre os diferentes povos, com o outro e com a natureza”, afirma.

Fonte: www.asabrasil.org.br

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