Artigos › 10/02/2015

Artigo: Justiça social

Marcus Eduardo de Oliveira*

Não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas. (Foto: Divulgação)

Não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas. (Foto: Divulgação)

Para se obter verdadeiro e pleno desenvolvimento econômico, na acepção que o termo denota, é fundamentalmente essencial que a economia, como ciência condicionada a mudar a vida das pessoas, faça a inclusão e valorização dos indivíduos.
Essa inclusão passa indubitavelmente por avaliar o padrão de vida das famílias. Inclusão, cabe reforçar, está associada ao alcance de bem-estar. É pela inclusão das pessoas dentro do processo econômico – produção, consumo – que se pode, com exatidão, medir o eixo da liberdade e da melhoria de vida de cada um. Isso implica antes em captar a realidade social.
Dito de outra forma, esse deve ser o foco principal das preocupações econômicas. Não por acaso, é consenso afirmar que o crescimento econômico vem acompanhado por um florescimento das liberdades.
Essa tal liberdade, por sua vez, alcança plenitude quando se incorpora em sua essência o mais importante imperativo: a justiça social. Justiça social é a outra maneira conhecida de chamar uma economia social e humana que esteja incorporada à ideia central capaz de colocar o progresso econômico a serviço dos mais pobres, dos mais humildes, dos mais necessitados.
Não é possível pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas, assim como também não é possível falar com seriedade em crescimento das liberdades e de justiça social sabendo que um terço da humanidade permanece mergulhado na miséria, numa abjeta condição de vida.
Urge soluções engendradas no seio da própria economia para pôr fim a essa ignomínia, pois a economia, sabiamente, é uma ciência que dispõe de todos os requisitos para melhorar substancialmente a vida daqueles que tanto necessitam de ajuda num mundo marcado pela desigualdade.
Continuar postergando a solução desse enorme e desumano problema (fome-miséria-exclusão-desigualdade), é procrastinar a escala de valores evolutiva da vida; antes disso, é afrontar a capacidade de viver em equilíbrio, em harmonia, em bem-estar.
Se todo problema social exige, antecipadamente, uma solução econômica, que a Economia (ciência e atividade) esteja à altura de resolver essa sandice chamada desigualdade socioeconômica.
Há que se entender, antes ainda, o real e verdadeiro significado do termo desenvolvimento, bem como desenhar políticas econômicas capazes de atenuar os desequilíbrios sociais.
Uns dizem que a melhor política de desenvolvimento seria aquela capaz de enriquecer os indivíduos. Outros, mais preocupados com a realidade social, apontam que a melhor política é aquela que tira da pobreza os mais necessitados.
Esses últimos estão ao lado dos que pensam ser necessário, antes de qualquer outra coisa, destruir os alicerces da pobreza, a fim de solidificar uma economia com capacidade de prosperar, sem as manchas sociais da fome, da miséria e da exclusão social.
Quem está desse lado, sabe bem que uma economia vai mal e regride quando a especulação e as artimanhas, por exemplo, do mercado financeiro se tornam mais atrativas que a criação de atividades que nascem de novas ideias centralizadas na valorização do capital humano e do trabalho individual.
Quando o capital humano passa a ser valorizado e incluído nas políticas econômicas, a economia então passa a fazer todo sentido. Aos economistas modernos que pautam suas ações nessa linha de pensamento, cabe anunciar, em alto e bom som, o que Edmund Phelps, laureado com o Nobel, diz com bastante propriedade: “a boa economia é a que satisfaz a aspiração a uma vida boa”.
Portanto, se os economistas têm uma “função” bem definida na sociedade essa é, certamente, a de se envolver no processo de transformação econômica e social a partir da inclusão dos excluídos e da valorização das pessoas.
Não tenhamos dúvidas que só haverá inclusão plena, verdadeira e consistente, quando as ações econômicas promoverem essa urgente transformação. Sem inclusão, definitivamente, não há progresso que se realize e se solidifique.

*Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo | prof.marcuseduardo@bol.com.br

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