Artigos › 04/03/2015

Artigo: Açude Itans – Patrimônio do povo caicoense

Açude Itans, em dezembro de 2014 (Foto: José Bezerra)

Açude Itans, em dezembro de 2014 (Foto: José Bezerra)

Entendo que a humanidade vive uma profunda crise civilizatória. A crise ambiental, hídrica, energética, econômica, social, ética e alimentar exige mudanças na forma de consumir e produzir. Estamos tirando da terra mais bens naturais do que ela é capaz de repor. Precisamos mudar nossos hábitos e viver com mais simplicidade, aprendendo a respeitar e cuidar de forma harmoniosa dos bens comuns da natureza, sem afetar ainda mais, o desequilíbrio do já fragilizado ambiente vital da Terra.
A situação atual do clima exige grandes mudanças no estilo de vida, uma verdadeira revolução e transformação do modo como lidamos com os recursos naturais. Nesse sentido, um processo de adaptação substancial é fundamental para se tentar reverter o panorama atual e deixarmos um legado de justiça ambiental para as gerações futuras.
Os povos do mundo já sabem e vivem experiências de que as mudanças climáticas são um grande e complexo desafio neste século. Os processos de mitigação e adaptações às mudanças climáticas deve ser uma prioridade de política pública, nas três esferas de governo. Os extremos climáticos estão se tornando frequentes e, em muitos casos, mais intensos, em todas as partes do Brasil e, em especial, no semiárido brasileiro, com aumento do processo de desertificação e perda da biodiversidade de nossa caatinga. A atual crise hídrica atinge todo o Brasil e, em Caicó, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) já estabeleceu o sistema de rodízio. Dependendo da recarga ou não dos nossos reservatórios poderemos ter racionamento e até falta do precioso liquido. Portanto, precisamos urgentemente desenvolver ações cooperantes e práticas educativas solidárias de como enfrentar coletivamente a crise hídrica em curso, antes do lazer e do lucro de alguns.
Faço esta pequena introdução e reflexão para chamar a atenção do povo do Seridó e de Caicó sobre matéria aprovada em caráter de urgência na câmara municipal de Caicó e sancionada pelo prefeito de Caicó, Roberto Germano, reconhecendo de utilidade pública alguns balneários para atender exigências do Ministério Público Federal e DNOCS na perspectiva de sua reabertura para voltarem a ser lazer para uma pequena minoria das famílias caicoenses.
Todos sabem que o açude Itans é um patrimônio do povo de Caicó, zona urbana e rural e não pertence apenas a quem deseja explorar, depredar e destruir seu ecossistema em nome do lucro e da zona de conforto de poucos. O açude Itans é o maior símbolo e identidade de Caicó, junto com a festa de Santana, e deve ser preservado pelo povo e o poder público. A preocupação de todos e todas neste momento deveria ser com a situação do baixíssimo volume d’água que possui o Itans atualmente, em torno de 7 milhões de metros cúbicos (8,9% de sua capacidade total), um dilema que fere de morte nossas almas e nossas vidas Caicoenses.
Não vale a pena continuar matando o nosso Itans; precisamos ajudá-lo a recuperar o seu equilíbrio perdido por causa das agressões ao seu ecossistema e devolvê-lo aos agricultores familiares, pescadores artesanais e ao povo Caicoense. Na verdade, todos devem mudar em tudo que for possível e quanto antes para preservar o açude Itans, patrimônio do povo Caicoense e pertencente às gerações presentes e futuras.

Saudações Ecossocialista
Agrônomo José Procópio de Lucena

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