Notícias › 16/12/2015

Acordo do clima de Paris foi fraco

Acordos multilaterais não são importantes na atual economia política mundial.

 Acordo foi "fraco", tendo em vista que o assunto é debatido há pelo menos 23 anos, desde a Eco 92. (Foto: Reuters)


Acordo foi “fraco”, tendo em vista que o assunto é debatido há pelo menos 23 anos, desde a Eco 92. (Foto: Reuters)

O novo acordo do clima, fechado durante a 21ª Conferência Mundial sobre o Clima (COP 21), que terminou no sábado (12) em Paris, foi “fraco”, tendo em vista que o assunto é debatido há pelo menos 23 anos, desde a Eco 92. A opinião é do professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Viola, coordenador do Grupo de Pesquisa em Mudanças Climáticas e Relações Internacionais, que participou ontem (15) de uma mesa redonda sobre os resultados da COP 21, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.

Para ele, acordos multilaterais que visam caminhar para uma economia de baixo carbono, como o firmado em Paris, não são importantes na atual economia política mundial. “O fundamental da lógica do mundo, do fluxo em matéria de energia está dado basicamente pelos processos de trajetória recente e futura de emissão de um grupo muito reduzido de países, que são os que produzem o problema e que têm a capacidade de resolver o problema, mas em geral não são os que mais sofrem com o problema. São 12, basicamente”.

Ele cita como principais atores no processo os Estados Unidos, a China e a União Europeia, que são os maiores emissores, com a China na liderança. Como núcleo seguinte, seguem emissores importantes, mas não centrais: Índia, Brasil, Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Rússia, Turquia, México e Canadá. De acordo com o professor, esses países, juntos, emitem mais de 70% do carbono mundial. Viola afirma que as emissões aumentaram desde 1992.

“Paris é um acordo fraco do ponto de vista de cientistas que não estão nas manchetes da mídia. Nós começamos há 23 anos e até agora estamos fracassando rotundamente. Na década de 90, as emissões globais de carbono subiam 1,3% ao ano. Na primeira década do século 21, década do grande crescimento econômico, as emissões cresceram 3% ao ano. Depois da crise de 2008 e do acordo de Copenhague, tivemos um crescimento mais limitado. Nós temos já 23 anos de fracasso, com aumento extraordinário da concentração dos gases estufa e uma redução brutal do que fica do orçamento global do carbono para evitar a mudança climática”.

Sobre o fundo de R$ 100 bilhões previsto no acordo de Paris, ele afirma que o valor corresponde a 0,4% do PIB mundial e cita estudo do Fundo Monetário Internacional, que aponta que, em 2013, os subsídios diretos e indiretos para a produção de petróleo somavam R$5 trilhões de dólares, o que corresponde a 7% do PIB mundial.

Matéria completa: http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=974858

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