Notícias › 04/10/2016

“A sociedade tem um lugar menor para as mulheres. Elas precisam agir”

Entrevista com Gema Galgani Silveira Leite Esmeraldo, professora da Universidade Federal do Ceará, sócia do Esplar e indicada ao Prêmio Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós

Por Comunicação Esplar

Gema Galgani, autora do livro "Ceará no feminino: as condições de vida da mulher da zona rural (Foto: arquivo Esplar)

Gema Galgani, autora do livro “Ceará no feminino: as condições de vida da mulher da zona rural (Foto: arquivo Esplar)

Quase quarenta anos de engajamento na luta pelos direitos das mulheres, pesquisas feitas, livros publicados e formações de lideranças nos movimentos sociais levaram a professora da UFC. Gema Galgani, a ser indicada ao prêmio Mulher Cidadã, honraria da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Gema testemunhou e contribui para a transformação que as mulheres da cidade e do campo causaram em suas comunidades. Juntas, organizadas e com a clareza das opressões que vivenciam, as trabalhadoras rurais mostraram o que antes não era visto, nem nas suas famílias, nem nos sindicatos, nem nas instituições públicas.

Quando se criou espaços com as mulheres e especificamente com agricultoras, elas refletiram sobre suas vidas e falaram o quanto trabalham pela sobrevivência de sua família, o quanto são merecedoras de direitos trabalhistas e de reconhecimento. Elas provaram também que podem contribuir ainda mais com suas comunidades, com a justiça social e com a preservação da natureza, “a luta universal”.

Ao longo de quatro décadas, a professora Gema viu essas transformações culturais acontecerem com o apoio dos movimentos sociais e de ONGs como o Esplar, do qual é sócia. A professora percebe também que muitas outras mudanças virão. Ao seu tempo, as mulheres rurais têm encontrado sua forma de feminismo e mudado a forma de ver o mundo e a si mesmas. Sobre a bonita trajetória vivida entre a universidade e o campo, a professora conta suas experiências.

ESPLAR – Professora, como se deu sua aproximação com as questões de gênero no campo? Que histórias de vida lhe deram a dimensão desta desigualdade que existe no meio rural?

Gema – Quando eu me formei no curso de Economia Doméstica na UFC (1976), fui trabalhar na Emater Alagoas (Empresa De Assistência Técnica E Extensão Rural De Alagoas) em projetos que atuavam com pequenos agricultores para estimular a introdução de pacotes tecnológicos nas unidades familiares. Era o início da chamada Revolução Verde (que visava o aumento da produtividade agrícola com disseminação do uso de agrotóxicos e máquinas). Naquele momento, eu era uma técnica social, trabalhava em uma equipe em que havia também agrônomos e já percebia, embora ainda não de uma forma refletida, a divisão sexual do trabalho na assistência técnica. As técnicas contratadas em geral eram mulheres e íamos trabalhar com a mulher, mas nós não as enxergávamos como produtoras, mas sim no papel de reprodutora (trabalho doméstico e de reprodução familiar), dentro da unidade familiar e íamos trabalhar em temáticas e atividades relacionadas à educação alimentar e sanitária. Em momento algum a EMATER e órgãos financiadores nos levavam a perceber, a refletir e questionar que havia ali uma construção já de separação entre o lugar do homem e o lugar da mulher.

Quando saí da EMATER, fiz o concurso e vim para a Universidade Federal do Ceará (1991). Aqui eu já tinha essas primeiras formações e práticas de entendimento desta construção da sociedade que demarcava o lugar do homem e da mulher.

Entrevista completa: http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=9857

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